ReutersMuralhaO atacante Élber reclama um escanteio, depois de inútil tentativa do ataque brasileiro. O goleiro Keller pegou tudo e foi destaque do jogo Ao empatar com a Jamaica, na estréia da Copa Ouro, o técnico Zagallo disse que o tropeço deveria servir de alerta para a Seleção Brasileira. O time perdeu muitos gols. A história se repetiu contra a Guatemala e, na madrugada de ontem, contra os Estados Unidos, no Coliseu, em Los Angeles. Então, não serviu. O Brasil perdeu para os norte-americanos (1 a 0, gol de Preki aos 19 minutos do segundo tempo) pela primeira vez na história. Os Estados Unidos não conseguiam marcar um gol na Seleção Brasileira desde 1930. Com isso, o Brasil está fora da decisão. ‘‘Nessa competição, o que marcou a Seleção foi a perda de gols’’, resumiu Zagallo. ‘‘Só que futebol é gol e se isso faltou, então faltou tudo.’’
Zagallo disse que, naturalmente, o objetivo era ganhar o título da Copa Ouro. ‘‘Por isso, os jogadores deixaram o gramado cabisbaixos e a Seleção está envergonhada’’, admitiu. Até domingo, porém, ele acredita que conseguirá motivá-los para disputar o terceiro lugar.
O treinador lembrou que em todos os jogos a Seleção foi tecnicamente superior aos seus adversários. No entanto, admitiu que o resultado final é o que conta. ‘‘Não poderia gostar da eliminação assim, mas aconteceu’’, disse. O discurso do treinador não mudou e parece decorado para utilizar em momentos adversos. ‘‘Este foi mais um resultado que nos vai servir de lição para o futuro e é melhor que aconteça agora do que na Copa do Mundo.’’
É verdade que o ataque brasileiro cansou de desperdiçar oportunidades de gols que, se convertidos, colocariam a equipe na final da Copa Ouro, domingo. Mas o que fica registrado são os números que vão para as estatísticas. A campanha do Brasil até aqui no torneio da Confederação Norte, Centro-Americana e do Caribe de Futebol (Concacaf) foi fraca demais para o futebol tetracampeão do mundo - uma vitória sobre El Salvador (4 a 0), dois empates com Jamaica e Guatemala (0 a 0 e 1 a 1, respectivamente) e uma derrota (1 a 0) para os Estados Unidos.
Em resumo, foi pior do que a primeira participação brasileira na Copa Ouro, em 1996, quando a equipe pré-olímpica chegou à decisão e perdeu para o México. Domingo, a Seleção estará em campo outra vez - para fazer a preliminar da decisão contra o perdedor do jogo desta noite entre México e Jamaica - quando disputará o terceiro lugar.
Com o rosto vermelho, mas sem perder a pose, Zagallo compareceu à entrevista coletiva depois da sua segunda derrota com a seleção principal - a outra foi para a Noruega por 4 a 2, em maio do ano passado, em Oslo - afirmando o óbvio. ‘‘É evidente que não gostei da derrota, eu não estou acostumado a perder’’, afirmou, acrescentando que, apesar dela e da eliminação, ‘‘a Seleção agradou porque criou umas seis ou sete oportunidades claras de gol’’. Outro ‘‘fato positivo’’: ‘‘O torneio valeu para eu tirar conclusões individuais e coletivas para a Copa’’, assegurou, recusando-se a entrar em detalhes.
O técnico disse acreditar que o Brasil foi muito criativo e ‘‘faltou apenas concretizar’’ as oportunidades criadas. Romário, que disse ser o responsável pela inexistência de gols, recebeu o apoio do técnico Zagallo. ‘‘Ele está guardando os gols para a Copa do Mundo’’, desconversou o técnico.

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