Zagallo se descontrola e discute na entrevista
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domingo, 12 de julho de 1998
Agência Folha 
O técnico Zagallo falou ontem implicitamente como ex-técnico da Seleção Brasileira, bateu boca com um jornalista durante a entrevista coletiva, retirou-se, voltou e justificou a derrota, em parte, pelo trauma da situação vivida pelo atacante Ronaldinho. Eu não vou parar, eu não vou parar, afirmou Zagallo, emocionado, sobre a sua carreira de técnico. Ele disse que o seu contrato com a CBF termina no dia 9.
Como a entidade planejou antes da Copa, Zagallo será afastado - talvez haja algum amistoso de despedida ou outra homenagem, mas uma nova comissão técnica será formada para a Copa de 2002. Logo após o jogo, Zagallo disse: Desde o início do jogo pensei que a vitória seria da França, principalmente após o 1 a 0, quando eu vi que iria chegar o 2 a 0. No segundo tempo melhoramos muito, mas a taça ficou em boas mãos.
Com lágrimas nos olhos, Zagallo afirmou ter ficado triste por não dar a glória do penta a todos os brasileiros. Indagado sobre a sua saída da seleção, disse: Não posso responder, com tanta emoção. Não é o momento oportuno. Ao chegar para a entrevista coletiva, Zagallo abraçou e trocou beijos com o técnico francês Aimé Jacquet. Vou precisar de duas vidas para ganhar os títulos do Zagallo. Tamanha coragem, alegria, determinação, como jogador e como técnico, é o que me faz apreciá-lo. É um desportista.
Depois, Zagallo começou a dar a entrevista durante a qual ficaria transtornado. Pensei que poderíamos levar, do Champs Élysées, o Arco do Triunfo, mas ele já era da França, porque fica aqui mesmo, afirmou, elegantemente. A elegância acabou quando Zagallo foi questionado sobre Ronaldinho. Antes, Zagallo disse: Eu estava torcendo para o primeiro tempo acabar, como já havia ocorrido contra a Holanda. Mas agora tivemos um trauma grande, por causa do Ronaldo. Não era para o Ronaldo ter jogado. Demos a escalação sem ele. Houve grande abatimento psicológico. A equipe estava presa, amarrada. Ronaldo não iria jogar. Demos a escalação sem ele. Depois, ele pediu para jogar. Disse eu quero. Ele estava buscando a artilharia, poderia ter uma luz durante o jogo.
Quando a CBF divulgou a lista com Ronaldinho na reserva, o assessor de imprensa da Fifa Ricardo Settyon, a serviço da Seleção durante a Copa, perguntou a Zagallo do que se tratava. Eu menti ao Ricardo, dizendo que era estratégia para confundir, mas na verdade não era. Omiti uma situação. Foi um momento triste na nossa concentração, com a situação do Ronaldo.
Zagallo disse que várias vezes pensou em tirar Ronaldinho, mas o manteve. Ele poderia ter uma luz, queria detonar. Da platéia, antes do início da fase de perguntas, o repórter Mauro Leão, do jornal carioca O Dia, perguntou: Por que o Ronaldo entrou? Zagallo, transtornado, respondeu: Entrou porque entrou. Você quer baixar o nível, quer aparecer. Estou aqui porque sou homem, vocês devem muito a mim. Sou homem, tenho dignidade, moral. Precisa ter educação com os franceses aqui.
A seguir, Zagallo, vermelho e com raiva, se retirou. Menos de 5 minutos depois, voltou, repetindo várias vezes a expressão prejuízo psicológico, se referindo ao caso de Ronaldinho. Mas isso, em hipótese alguma, pode servir como desculpa para a derrota, que foi justa. Levamos novamente gols de bola parada, que podem acontecer em qualquer situação.


