Zagallo reconhece divergência com coordenador Zico
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Agência Estado 
O técnico Zagallo admitiu ontem suas divergências com o coordenador Zico, ao saber das declarações do ex-jogador do Flamengo de que Ronaldinho estava grogue e sonolento momentos antes da final contra a França e que não deveria ter entrado em campo. Quem escala ou determina a escalação é o treinador e o treinador era eu, disse durante a gravação, à tarde, de um especial da TV Manchete, previsto para ir ao ar no fim da noite de ontem.
Ele adotou um tom de despedida na entrevista, embora tenha dito mais de uma vez que aceitaria um convite da CBF para dirigir a Seleção nos Jogos Olímpicos da Austrália, no ano 2000. Minha cota de participação em Copas do Mundo terminou, afirmou. O fim de seu contrato com a CBF será em agosto. Zagallo acrescentou que estudaria uma eventual proposta para ser coordenador ou diretor da CBF.
Bem disposto, respondeu a perguntas de torcedores que enviaram fax e e-mails à produção do programa. Numa delas, irritou-se quando indagaram se ele teria coragem de escalar o neto nas mesmas condições de Ronaldinho. Não, ele só tem 9 anos, é muito novo ainda. Deixou claro também sua mágoa com Edmundo, que disse ter sido boicotado. Edmundo, fale pouco, use mais a cabeça e lembre-se que te convoquei para a Copa América, a Copa Ouro e a Copa do Mundo mesmo depois de avisado por muitas pessoas de que você poderia estragar algum jogo importante.
Sobre o fato de ter permanecido a maior parte do tempo no banco de reservas, contra a França, ao contrário do que fez em outros jogos, quando se levantava e orientava o time à beira do campo, ele reconheceu que o drama vivido por Ronaldinho o deixou muito abalado. O trauma foi muito grande, diz o treinador.


