Zagallo reage em tom ufanista: Foi uma derrota rumo ao penta
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terça-feira, 23 de junho de 1998
Agência Folha 
O técnico Zagallo reagiu quase com ufanismo à derrota de ontem do Brasil para a Noruega : Foi uma derrota rumo ao penta, afirmou, apesar de abatido. Ao ouvir referência ao fato de o Brasil nunca ter sido campeão mundial tendo perdido uma partida, disse: Em toda a regra há exceção. O penta virá com uma mancha diferente. Ele ficou irritado com o que considerou desconcentração e relaxamento da equipe. Por isso, pela primeira vez numa partida brasileira na Copa da França, o técnico do time perdedor foi o último a dar entrevista.
Nunca Zagallo havia demorado tanto para começar a ser entrevistado. Ele disse que falou aos jogadores a mesma coisa que aos jornalistas: A derrota veio na hora certa, quando podíamos perder. Nos desconcentramos depois do gol, a 7 minutos do fim. Eu falei que, mesmo com vaias, tínhamos que ficar tocando a bola, até eles se abrirem, acabando com o marasmo das linhas de quatro e cinco jogadores só defendendo.
Zagallo sustentou a sua opção de não substituir nenhum jogador: O que vocês fariam? Tirariam quem e botariam quem? Trocar seis por meia-dúzia? Por que, se eu estava gostando do time? O treinador repetiu várias vezes que as jogadas norueguesas se limitavam a bolas altas, cruzadas sobre área, embora muitas não tenham sido feitas assim, como no primeiro gol da equipe do técnico Egil Olsen.
Num esforço para manter o astral elevado, Zagallo pronunciou várias frases de efeito. Aqui não tem balão nas festas de São João, mas no Brasil tem. A Noruega só jogou bolas para o alto, como prevíamos, disse Zagallo, apesar de a partida ter mostrado uma variação muito maior dos ataques noruegueses.
Questionado sobre se queria uma vingança brasileira, por causa da derrota de 4 a 2 num amistoso do ano passado, o técnico respondeu: Eu nunca disse isso. Na quarta-feira, porém, Zagallo afirmou que Olsen estava entalado em sua garganta.
No segundo tempo do jogo de ontem, o brasileiro virou para torcedores noruegueses que estavam perto do banco brasileiro e discutiu com eles. Eu não briguei, apenas os gozei, o que é diferente. Zagallo contou ter batido papo com Olsen antes da partida. Depois, o procurou para cumprimentá-lo, mas não o encontrou, em meio à festa do adversário que comemorava a classificação para a semifinal.
O treinador brasileiro disse que achou sua equipe melhor do que a oponente. O problema é que houve um afunilamento pelo centro, quando deveríamos ter aberto mais a bola pelas laterais. Eu falei isso no intervalo e melhoramos.
O que deixou o técnico mais zangado foi o time ter, na sua opinião, sentido as vaias. Era para o Dunga tocar para o Júnior Baiano, passando pelo Cafu, pelo Gonçalves, pelo Roberto Carlos. Ora, era para ficar uma sonolência até o fim do jogo.
Zagallo não quis falar sobre o Chile, adversário do Brasil nas oitavas-de-final, sábado, em Paris. Eu estava ligado na Noruega, só agora vou pensar no Chile. O técnico negou que, no fim da partida, tivesse recordado a derrota para a Nigéria, na semifinal da Olimpíada de Atlanta-96. Como ontem, naquela competição o Brasil perdeu no final, depois de estar vencendo.
O técnico, antes da Copa, dizia esperar que a Seleção chegasse à terceira partida no auge. Foi quando, justamente, perdeu. Num jogo que não valia nada, um treino de luxo para Zagallo, o time sofreu o impacto da derrota. Mas ela não vai deixar sequelas, afirmou o treinador. Tivemos uma grande lição, quando o jogo estava ganho. Como ele não valia nada, o subconsciente afetou os jogadores.
Como havia antecipado antes, Zagallo reafirmou que o meia defensivo César Sampaio, que estava suspenso, voltará ao time no sábado. O ataque será formado por Ronaldinho e Bebeto, com Denílson ficando no banco. A zaga terá Aldair e Júnior Baiano.


