Depois de enfrentar quatro das cinco seleções africanas classificadas para a Copa de 98, na França, o técnico Zagallo previu que o futebol daquele continente ‘‘vai fazer estragos’’ na competição. Marrocos foi a última seleção a impressionar o treinador, apesar de ter perdido para o Brasil, por 2 a 0 (gols de Denílson), anteontem, em Belém (PA). ‘‘O time deles é excelente; tem técnica e boa organização tática’’, definiu.
O Brasil venceu Camarões, Africa do Sul e Marrocos, em partidas amistosas, e jogou duas vezes com a Nigéria, pela Olimpíada de Atlanta - ganhou, por 1 a 0, na primeira fase, e perdeu, por 3 a 2, na semifinal. O único representante africano na Copa que ainda não cruzou o caminho da Seleção Brasileira foi a Tunísia. ‘‘Mas não se iludam não, porque é uma equipe de alto nível técnico’’, alertou Zagallo. Segundo ele, a evolução do futebol africano é ‘‘assustadora’’. ‘‘Já fizeram um estrago com a gente e espero que não aconteça de novo’’, disse, referindo-se à derrota para a Nigéria.
A partida contra Marrocos deixou Zagallo convencido de que o meia Émerson, do Bayer Leverkussen, pode ser o reserva ideal de Flávio Conceição na função de segundo homem do meio-de-campo. Embora não tenha aparecido para a torcida durante o amistoso em Belém, Émerson cumpriu uma função burocrática que agradou ao treinador.
Zagallo procurou não analisar individualmente os outros jogadores, mas admitiu que Zé Elias não cobriu o espaço deixado pelos laterais como deveria. O meia da Internazionale de Milão, que está disputando a vaga de reserva de Dunga, perdeu uma boa oportunidade de ganhar a confiança do técnico no jogo contra Marrocos. Zagallo viajou ontem à noite para Hannover, onde pretende assistir à partida entre Alemanha e Albânia, amanhã, pelas eliminatórias européias, e participar de um programa com Beckenbauer, ex-astro da seleção alemão. Os dois foram os únicos a conquistar a Copa como jogador e como técnico.

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