São Paulo, 07 (AE) - Após a saída de Evaristo de Macedo do Corinthians, Mario Jorge Lobo Zagallo, 67 anos, assumiu definitivamente o posto de decano entre os treinadores que dirigem grandes clubes brasileiros. Ele é o único representante da sua geração, que teve Telê, Minelli, entre outros, em meio a uma safra de técnicos entre 40 e 50 anos que despontam. Mas quem pensa que Zagallo está próximo da aposentadoria, está enganado. O velho Lobo anuncia ter ainda dois grandes projetos no futebol. Um deles é lançar um livro reunindo todas as suas idéias sobre o esporte e um resumo de sua vitoriosa carreira. "Já tenho tudo em disquete e estou esperando uma boa proposta, quem sabe de uma multinacional, para viabilizar isso, disse o treinador. O outro projeto Zagallo não revela totalmente. Mas ele assegura que ainda tem fôlego e imaginação para inovar como técnico de futebol. "Eu tenho uma coisa, em termos táticos, para pôr em prática na frente, mais um tempero na salada; mas isso requer um certo tempo e uma boa oportunidade, disse. Zagallo, enfim, não se sente nem um pouco inferior aos técnicos da moda, como Wanderley Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari, Emerson Leão ou Paulo César Carpegiani. "É uma turma de bons treinadores, mas eu tenho todas as condições reunidas: o respaldo de quatro títulos mundiais, uma boa visão de jogo, noções de táticas e muita experiência para transmitir, definiu. Há mais de 50 anos no futebol, 33 deles como técnico, Zagallo garante que continuará na luta "até quando tiver saúde. Ele explica. "Eu não preciso correr, só usar a cabeça; quando eu comecei como técnico, tinha de ser também supervisor, preparador físico e treinador de goleiros, mas hoje existe uma equipe que divide as funções. Para Zagallo, a grande mudança ocorrida no futebol nesses anos de carreira, foi o aprimoramento da condição física do atleta. "Em termos táticos, cada hora inventam uma nomenclatura para os esquemas, mas hoje tudo se resume a uma palavra: compactação. Depois de oito anos seguidos de seleção brasileira, o treinador entende que vive no dia-a-dia da Portuguesa um estresse menor. "Não existe nada mais forte do que a pressão na seleção. Zagallo afirma que as contusões e o elenco reduzido de Lusa estão prejudicando o seu primeiro trabalho no futebol paulista. "Mesmo assim, estamos brigando pela classificação. O treinador garante que tem conseguido ficar alheio às denúncias de suborno envolvendo os dirigentes do clube. "Isso é um problema político da Lusa, mas tem gente querendo aparecer em cima de pessoas idôneas. Continuar ou não no Canindé é uma resposta que Zagallo ainda não tem. O contrato do treinador termina no fim do Campeonato Paulista. "Depende de uma conversa: se eles me oferecerem mais material humano... Mas o técnico não está preocupado. "Já recebi duas propostas: uma para continuar em São Paulo e outra da Europa, gabou-se. VISITA - É inegável que a presença de Zagallo atraiu a atenção da mídia para a Portuguesa. Hoje, ele e os jogadores receberam a visita dos atores Isser Korik e Luzia Meneguini, que trabalham na peça Vacalhau e Binho, comédia sobre a colônia portuguesa. Juntos, trocaram piadas e deram boas risadas.

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