Zagallo não se abala com derrota
São Paulo, 11 (AE) - O técnico, Zagallo, e os jogadores da Portuguesa consideraram a derrota para o São José, lanterna do Campeonato Paulista, um dos muitos fatos inexplicáveis do futebol. Mesmo com a derrota, a primeira da equipe na competição
o time lidera o Grupo 1. O próximo adversário da equipe, que precisa de apenas um ponto para garantir sua classificação para a segunda fase, é, justamente, o União Barbarense, vice-líder da chave.
Para o treinador, a Portuguesa não jogou mal, fez um primeiro tempo equilibrado e até estava para marcar o gol. "Mas os outros 45 minutos foram só nheco-nheco, só adversário na defesa", completou. "Quando uma retranca era muito forte, o Gérson (meia da Copa de 1970), costumava dizer que haviam 360 em campo - acho que nesse último jogo eram uns 400", disse o treinador, lembrando que essa foi a única partida em que o time não fez gol.
Apesar da derrota, que quebrou uma invencibilidade de cinco partidas no Paulista, Zagallo não mostrou preocupação ou irritação com o time. "O mais importante foi o que a equipe produziu em campo", avaliou. "Apesar da derrota, considero que o grupo jogou muito bem, criando muitas oportunidades de gol." Ao fim do jogo, o treinador da Portuguesa parabenizou Gílson Nunes, técnico do São José.
O treinador afirma não ter ficado aborrecido com as provocações que recebeu da torcida adversária, lembrando de sua recente derrota na decisão da Copa do Mundo de 1998. Segundo Zagallo, toda a sua notoriedade não é suficiente para fazer com que a torcida esqueça de que ele é um adversário. O fenômeno, para o treinador, é normal. "Mas antes do jogo até recebi presentes, ganhei um quadro, com uma moldura de madeira, muito bonito."
Enchente - Na volta para a capital, Zagallo impressionou-se com outro fenômeno que está se tornando típico da cidade, as enchentes. "Escapei por pouco de ficar preso no trânsito", disse o treinador. "Quando passei pela Avenida 9 de Julho, o trânsito na pista oposta estava totalmente parado", diz.
"Também acontecem enchentes no Rio, mas é mais raro", conta. "Mas nunca vi nada igual ao que aconteceu aqui, jorrava água dos bueiros como se fossem um chafariz."
Vacilo - Para atacante Leandro, o que faltou ao time foi sorte. "A gente jogou bem, dominou todo o jogo, embora tenha perdido algumas oportunidades de marcar", disse. "Foi uma noite em que nada deu certo." O volante Carlinhos concorda. "No único momento da partida em que não tivemos atenção, tomamos o gol."
O jogo contra o Barbarense, segundo eles, é traiçoeiro. Em caso a vitória ou empate a Portuguesa garante a classificação para a segunda fase mas uma derrota, porém, além de adiar a passagem para a próxima etapa da competição, levará o adversário à liderança do Grupo 1. O time do Canindé soma 15 pontos no Paulista enquanto o próximo adversário, tem 13. "Não podemos dar vacilo", disse Leandro.





