Com o primeiro lugar do grupo assegurado, o jogo de terça-feira, contra a Noruega, o último da primeira fase, perdeu muito em importância para o Brasil. Menos para o técnico Zagallo. Segundo ele, o grande estímulo dos jogadores para esta partida é um certo ‘‘nozinho na garganta’’.
‘‘Eles estão atravessados na garganta de todos desde a derrota do ano passado (4 a 2, num amistoso, em Oslo)’’, afirmou Zagallo, que passou a odiar o técnico da Noruega, Egil Olsen, após a sequência de declarações provocativas do adversário antes do início da Copa do Mundo.
Olsen chegou a dizer que, se fosse técnico do Brasil, a Seleção não perderia de ninguém. ‘‘Agora, de brincadeirinha, eu digo: se eu tivesse no lugar dele, a Noruega já estaria classificada para a próxima fase’’, disse Zagallo.
Segundo ele, os noruegueses ‘‘gastaram toda a munição’’ antes do início do Mundial e agora isso está fazendo falta. ‘‘Hoje, nós estamos classificados e eles, correndo atrás.’’ Zagallo foi além. Disse que está torcendo para Marrocos conseguir o segundo lugar do grupo. ‘‘Não gosto do estilo norueguês e nem do escocês.’’
O coordenador-técnico Zico foi mais comedido. Ele acha que a equipe deve respeitar a Noruega e demonstrar o mesmo empenho das outras partidas. ‘‘Todos os jogos são difíceis e não devemos achar também que o Brasil é o favorito ao título.’’
Zagallo vai mudar a equipe para o jogo contra a Noruega, mas pretende fazer muito mistério. ‘‘Eu não gostaria de mexer: se pudesse, repetiria a mesma equipe’’, disse. César Sampaio, suspenso, não joga. Zagallo disse que tem três opções para a sua vaga: Doriva, Emerson ou Denílson - recuando, no último caso, Leonardo para a posição de volante.
O treinador também pretende poupar os zagueiros Júnior Baiano e Aldair, ‘‘pendurados’’ com um cartão amarelo. Os cartões só serão zerados nas oitavas-de-final. Se eles jogarem na terça-feira e forem advertidos, ficam de fora do jogo do Brasil na próxima fase. O principal problema é a falta de ritmo de jogo dos zagueiros reservas, Gonçalves e André Cruz. ‘‘O André Cruz só está voltando aos treinos agora, após recuperar-se de uma contusão: isso preocupa, mas temos tempo para analisar a melhor opção’’, disse.
Uma coisa é certa: Leonardo ganhou definitivamente a posição no meio-de-campo. ‘‘Ele deu uma nova dinâmica ao time’’, afirmou Zagallo.
Toda a teoria que Gilmar Rinaldi, um dos espiões da Seleção Brasileira, elaborou após analisar exaustivamente a Noruega, durante quase três meses de trabalho, ruiu depois das duas decepcionantes apresentações dos escandinavos na Copa da França. Gilmar simplesmente pensou em rasgar a sua lista de preocupações. Segundo ele, que ainda não apresentou seu relatório sobre o adversário ao técnico Zagallo, os noruegueses ‘‘viraram o fio’’, ou seja: passaram do ponto antes do tempo. ‘‘A Noruega atingiu o ponto máximo antes do Mundial e agora não está conseguindo render o que pode’’, afirmou, após ter visto os noruegueses suarem para empatar com Escócia.
Gilmar ficou impressionado ao constatar que três jogadores da Noruega foram substituídos no jogo de terça-feira, todos sentindo cãibras: o zagueiro Berg, o meia Havard Flo e o atacante Riseth. Os meias Mykland e Leonhardsen, dois dos principais jogadores da equipe, não enfrentaram os escoceses por não estarem bem fisicamente.
Gilmar, porém, não espera um jogo fácil para o Brasil na terça-feira que vem. ‘‘Eles têm a obrigação de vencer e evitar que não se repita um vexame como o de 94, quando começaram a Copa como candidatos ao título e acabaram eliminados na primeira fase’’, disse.
O espião disse que a principal arma norueguesa não é surpresa para ninguém: as jogadas aéreas. O atacante Tore Andre Flo, o grande destaque da goleada sobre o Brasil no amistoso do ano passado, em Oslo, segundo Gilmar, não é o responsável pelos gols. ‘‘Ele é o preparador de jogadas para os outros: as bolas são levantadas na área e ele ajeita de cabeça para quem vem de trás.’’

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