Zagallo elogia a atuação na estréia
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Agência Folha 
O técnico da Seleção Brasileira, Mário Jorge Zagallo, disse ontem ter ficado muito satisfeito com o rendimento da sua equipe na vitória sobre a Escócia (2 a 1), na partida de estréia na Copa do Mundo. A Seleção jogou tudo o que podia, disse Zagallo. Foi a 50ª vitória do Brasil, atual campeão mundial, em Copas. Desde o final de maio, Zagallo vinha afirmando que a Seleção Brasileira não estaria no melhor de sua forma na partida de estréia. Já disse e repito. Só vamos estar 100% contra a Noruega, mas contra o Marrocos haverá uma evolução em relação ao futebol que mostramos hoje (ontem).
Zagallo vem se queixando há alguns meses do pequeno tempo que a Seleção teve para se preparar para esta Copa. A equipe chegou à França 19 dias antes da estréia. Durante a partida, o momento de maior irritação do técnico foi no final do primeiro tempo, com o recuo dos jogadores de defesa e de meio-de-campo. Mesmo antes do intervalo, Zagallo levantou-se e gritou várias vezes com seus jogadores, pedindo que as linhas de marcação avançassem. Demos espaços para eles fazerem as jogadas diagonais. Aí, a Escócia veio para cima de nós.
No intervalo, Zagallo pediu um novo posicionamento, mais agressivo, especialmente contra os alas Burley e Dailly. No segundo tempo, matamos todas as jogadas deles. Eles só chutaram a gol de longe. Zagallo reconheceu que o gol foi ducha de água fria na equipe. De onde estava não deu para ver se foi ou não pênalti. Quero ver na televisão.
Segundo Zagallo, o Brasil poderia ter feito mais dois gols depois do primeiro, e a Escócia jogou da maneira como ele esperava. Citou as jogadas pelo chão em diagonal e especialmente as pelo alto, a maior preocupação nos treinos da semana passada. O Brasil matou o jogo aéreo da Escócia, afirmou.
O treinador elogiou o meia Leonardo (ele deu à equipe o dinamismo de que ela precisava), que entrou após o intervalo, mas recusou-se a adiantar se ele será o titular contra o Marrocos, na próxima terça-feira. Mas o tom das críticas sobre Giovanni (ele esteve muito apático) e sua decisão de substituí-lo no intervalo - o treinador quase sempre faz mudanças mais tardias - indicam que deve se repetir a mudança feita depois da estréia do Torneio da França, há um ano e uma semana, no mesmo país onde está sendo a Copa.
Sobre a entrada do meia-atacante Denílson, ele afirmou que escalou o jogador porque queria alguém capaz de abrir a defesa da Escócia pelas pontas. Colocar o Edmundo não seria a solução, pois ele fecharia o meio e não iria mudar nada no nosso ataque.
O técnico desculpou o atacante Ronaldinho por mais uma partida sem marcar - com esta, são quatro consecutivas na Seleção: Essa é a característica do futebol de hoje. Os atacantes ficam muito marcados. Mas o Ronaldinho foi muito bem, criou algumas chances de marcar.


