Nas rodas de conversa o assunto do momento é Copa do Mundo. Mas engana-se quem acha que as discussões giram apenas sobre o que Zagallo e companhia devem fazer para conquistar o Mundial. É possível encontrar algumas pessoas que ignoram o agito e querem mesmo é curtir a tranquilidade que os dias de jogos proporcionam. E outros que - táticas, convocações ou escalações à parte - querem mesmo é que o Brasil se ferre, seja por culpa do treinador ou do presidente da República.
Celso PachecoSidnei: ‘Zagallo é submisso’A comerciante Joana D’Arc Menezes, 40 anos, por exemplo, simplesmente detesta o futebol. ‘‘Não entendo nada deste jogo e o resultado não altera nada na minha vida’’, diz Joana D’Arc. Ela contou que adora ver Curitiba vazia durante os jogos. ‘‘O trânsito fica ótimo, eu posso ir ao caixa automático tranquila e ainda fazer compras no supermercado sem atropelo algum.’’
Joana conta que, em dias de jogos, ela prefere sair com o namorado, o músico Ezequiel Piaz - que também não gosta de futebol - e fazer programas bem alternativos. ‘‘Vamos para o parque Passaúna, andamos e fazemos piquenique’’, afirma Joana. Se ela está em casa, a TV é desligada para dar lugar à música. Para ela, um bom livro é sempre uma ótima companhia enquanto a maioria das pessoas assiste à Copa.
Celso PachecoMarcelo: ‘Castigo necessário’O operador de video-tape João Antônio Ribeiro, 31 anos - ou Toni, como é mais conhecido -, não ignora o futebol mas, apesar de curitibano, torce, na verdade, para a... Argentina. ‘‘Gosto de ver como eles jogam e o quanto demonstram amor pela camisa.’’ Toni diz que não deixa de amar a terra onde nasceu e que sabe separar bem as coisas. ‘‘Nasci no Brasil, sou brasileiro e gosto muito daqui. Mas no futebol eu prefiro a Argentina e disso não abro mão.’’
Em Londrina também é possível encontrar pessoas ‘‘do contra’’. O professor Marcelo César Rezende, 28 anos, diz que a eliminação da Copa, hoje, seria um bom castigo para o Brasil, devido ao estrelismo dos jogadores. ‘‘Não confio no futebol brasileiro. O grupo é desunido e cheio de estrelismo. Zagallo não sabe manter a disciplina. A recente briga entre Dunga e Bebeto é um exemplo disso. Temos um técnico prepotende e superado.’’ Palpite dele: Holanda 2 a 1.
Celso PachecoVargas: ‘Simples pretexto’O técnico em contalbidade Sidnei Lopes, 30 anos, entende que um dos problemas da Seleção é que Zagallo trabalha mal e não respeita os adversários. ‘‘Fico irritado ao ouvir as entrevistas dele. O cara não tem humildade. Zagallo não se toca que já não somos os melhores do mundo, ao contrário do que ele prega. É um treinador submisso às ordens da CBF e da Nike’’, diz Sidnei, para quem o Brasil leva de 3 a 2 hoje.
Para o comerciário Vargas Lerco, 27 anos, o eventual sucesso da Seleção no Mundial contribuiria para esconder o fracasso da política do governo FHC. ‘‘Vivemos uma crise que só o penta poderia camuflar. Não, não podemos conquistar o título. O grande vencedor seria o presidente FHC. que faria uso político da euforia das pessoas. Temos sérios problemas a resolver. O futebol não pode servir de pretexto para esconder nossas dificuldades sociais.’’

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