Zagallo e FHC motivam torcida contra a Seleção
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Marcos Freitas e Nelson Cilo 
Nas rodas de conversa o assunto do momento é Copa do Mundo. Mas engana-se quem acha que as discussões giram apenas sobre o que Zagallo e companhia devem fazer para conquistar o Mundial. É possível encontrar algumas pessoas que ignoram o agito e querem mesmo é curtir a tranquilidade que os dias de jogos proporcionam. E outros que - táticas, convocações ou escalações à parte - querem mesmo é que o Brasil se ferre, seja por culpa do treinador ou do presidente da República.
Celso PachecoSidnei: Zagallo é submissoA comerciante Joana DArc Menezes, 40 anos, por exemplo, simplesmente detesta o futebol. Não entendo nada deste jogo e o resultado não altera nada na minha vida, diz Joana DArc. Ela contou que adora ver Curitiba vazia durante os jogos. O trânsito fica ótimo, eu posso ir ao caixa automático tranquila e ainda fazer compras no supermercado sem atropelo algum.
Joana conta que, em dias de jogos, ela prefere sair com o namorado, o músico Ezequiel Piaz - que também não gosta de futebol - e fazer programas bem alternativos. Vamos para o parque Passaúna, andamos e fazemos piquenique, afirma Joana. Se ela está em casa, a TV é desligada para dar lugar à música. Para ela, um bom livro é sempre uma ótima companhia enquanto a maioria das pessoas assiste à Copa.
Celso PachecoMarcelo: Castigo necessárioO operador de video-tape João Antônio Ribeiro, 31 anos - ou Toni, como é mais conhecido -, não ignora o futebol mas, apesar de curitibano, torce, na verdade, para a... Argentina. Gosto de ver como eles jogam e o quanto demonstram amor pela camisa. Toni diz que não deixa de amar a terra onde nasceu e que sabe separar bem as coisas. Nasci no Brasil, sou brasileiro e gosto muito daqui. Mas no futebol eu prefiro a Argentina e disso não abro mão.
Em Londrina também é possível encontrar pessoas do contra. O professor Marcelo César Rezende, 28 anos, diz que a eliminação da Copa, hoje, seria um bom castigo para o Brasil, devido ao estrelismo dos jogadores. Não confio no futebol brasileiro. O grupo é desunido e cheio de estrelismo. Zagallo não sabe manter a disciplina. A recente briga entre Dunga e Bebeto é um exemplo disso. Temos um técnico prepotende e superado. Palpite dele: Holanda 2 a 1.
Celso PachecoVargas: Simples pretextoO técnico em contalbidade Sidnei Lopes, 30 anos, entende que um dos problemas da Seleção é que Zagallo trabalha mal e não respeita os adversários. Fico irritado ao ouvir as entrevistas dele. O cara não tem humildade. Zagallo não se toca que já não somos os melhores do mundo, ao contrário do que ele prega. É um treinador submisso às ordens da CBF e da Nike, diz Sidnei, para quem o Brasil leva de 3 a 2 hoje.
Para o comerciário Vargas Lerco, 27 anos, o eventual sucesso da Seleção no Mundial contribuiria para esconder o fracasso da política do governo FHC. Vivemos uma crise que só o penta poderia camuflar. Não, não podemos conquistar o título. O grande vencedor seria o presidente FHC. que faria uso político da euforia das pessoas. Temos sérios problemas a resolver. O futebol não pode servir de pretexto para esconder nossas dificuldades sociais.


