O técnico Zagallo quer continuar no comando da Seleção Brasileira. Chorando, com a medalha de prata no pescoço, o treinador disse que pretende cumprir o contrato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até o próximo mês e a decisão de renová-lo será do presidente Ricardo Teixeira. ‘‘Mas a minha vontade é prosseguir’’, afirmou, negando ter qualquer convite do Japão. O sonho do técnico é dirigir o time olímpico no ano 2000, em Sidney.
Zagallo se emocionou com a recepção carinhosa da torcida e do presidente Fernando Henrique Cardoso. O treinador teve o seu nome gritado em coro e pintado em cartazes de apoio de centenas de torcedores que receberam a Seleção no Aeroporto Internacional do Rio. O técnico confessou que não esperava tamanho reconhecimento. ‘‘Estou deslumbrado, é algo inédito o que está acontecendo’’, disse. ‘‘O povo não é bobo’’, completou, exibindo e beijando a medalha de prata dada pela Fifa aos vice-campeões. ‘‘Tenho quatro de ouro, mas esta de prata hoje está valendo a mesma coisa.’’
O técnico contou que a recepção de FHC sensibilizou os jogadores. ‘‘Todos choraram quando ele entrou no ônibus e discursou’’, revelou. ‘‘Estamos de alma lavada e agradecemos ao presidente, que transformou o vice-campeonato. Foi como se nós tivéssemos ganho o penta.’’ Zagallo acha que daqui para frente haverá uma mudança de mentalidade e o povo brasileiro vai valorizar o segundo lugar de uma equipe nacional.
Para Zagallo, a Seleção não ganhou o título por uma questão de destino. O mal-estar de Ronaldinho antes da final arrasou o grupo. ‘‘Por que, no dia do jogo, um atleta descansado logo depois do almoço teve uma convulsão?’’, perguntou. ‘‘Se tivesse acontecido dois dias antes daria para o time se recuperar, mas no dia da final aquilo deixou todos com os nervos a flor da pele.’’
O técnico disse que não queria diminuir a conquista da França, mas o time do Brasil foi apático como em nenhum outro momento da Copa. ‘‘Todos estavam preocupados com o Ronaldo, e a prova disso é que quando ele levou um tombo durante o jogo, ainda no primeiro tempo, todos correram preocupados para ver se ele estava bem’’, contou. ‘‘Essa garotada está de parabéns.’’
No vestiário, antes da partida, Zagallo já tinha decidido escalar Edmundo. Mas Ronaldinho apareceu, depois de ter ido ao hospital, e pediu para jogar. ‘‘Ele veio, disse que estava bem e mudou tudo’’, afirmou. ‘‘A presença dele entre nós era muito importante.’’ Zagallo revelou que, até então, o astral do grupo estava ótimo. Para ele, o Brasil atingiu o máximo na semifinal contra a Holanda. ‘‘Foi o melhor jogo da Copa’’, afirmou. ‘‘Estávamos todos confiantes, mas infelizmente o destino estava marcado.’’
No Rio, Zagallo traçou o próximo objetivo da sua carreira: disputar os Jogos Olímpicos de Sydney, no ano 2000. ‘‘Tenho contrato com a CBF até agosto. Se depender da minha vontade, continuo no cargo. A Olimpíada é um sonho e poderá ser o meu fechamento’’, afirmou o treinador, recebido com festa no condomínio onde mora, na Barra da Tijuca (zona sul do Rio).
A confiança em permanecer no cargo é tanta que Zagallo disse que na segunda-feira volta a trabalhar normalmente no seu gabinete na sede da CBF, no centro do Rio. ‘‘Não vejo motivo para não ir lá. Segunda-feira volto a trabalhar’’, disse Zagallo, que chorou ao ser recebido pelos torcedores no aeroporto e no seu condomínio, no Rio.
Ele acredita que deverá trabalhar, inclusive, nos dois amistosos do Brasil marcados para agosto, no Japão e na Coréia do Sul. O futuro de Zagallo na Seleção ainda é incerto. Nesta semana, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deverá se reunir com conselheiros para definir sobre sua manutenção. A família do treinador é contrária à permanência de Zagallo na comissão técnica.
Gafe de FHC O presidente Fernando Henrique Cardoso cometeu uma gafe ao homenagear a Seleção. Em vez de dizer que o país terá outras oportunidades de ser pentacampeão, afirmou que o time ainda será ‘‘tetracampeão’’. ‘‘Não vamos deixar passar a chance de (o país) ser o tetracampeão, porque nós vamos ser’’. O tetra foi conquistado na Copa de 94, nos Estados Unidos.
FHC se confundiu durante o discurso que fez, de menos de três minutos, no alto da rampa do Palácio do Planalto. Antes de discursar, recebeu vaias e sinais negativos - feitos com o dedo polegar - do público que esperava ver a Seleção.
Na rampa, diante do público, o presidente conversou com os jogadores, anotou os números de telefone de Ronaldinho, Taffarel, Dunga, Bebeto e Cafu. Segundo ele, ‘‘para manter futuros contatos’’. O ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, disse que FHC não está pensando em convidar os jogadores para que participem da campanha de reeleição. ‘‘Não se falou sobre isso.’’France PressAi, ai, ai!Zagallo é condecorado por FHC: ‘Se depender da minha vontade, continuo no cargo de treinador da Seleção’Das agências

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