Arquivo FolhaCom chanceGiovanni, do Barcelona, dividiu as opiniões da comissão técnica, mas pode aparecer na relação de convocadosDepois de três anos e meio de trabalho, 61 jogos e 113 jogadores testados, o técnico Zagallo anuncia hoje à tarde a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo da França, com transmissão ao vivo, às 15 horas, pela Globosat/Sportv. A lista terá 22 nomes, mas poderá ser modificada até o dia 2 de junho, data da inscrição dos jogadores para o Mundial. As últimas dúvidas da comissão técnica foram desfeitas ontem, após quatro horas e meia de reunião, na sede da CBF.
Zagallo e seus auxiliares fizeram um pacto de silêncio com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, resistindo ao assédio da imprensa. O treinador e o coordenador-técnico, Zico, foram perseguidos até o carro. Zagallo parou o trânsito na Avenida Presidente Vargas ao deixar o prédio da CBF. ‘‘Não adianta, eu não vou falar sobre a lista; hoje não tem papo’’, repetia, enquanto ouvia a voz das ruas: ‘‘Tira o Aldair’’, ‘‘tira o Ronaldinho’’, ‘‘coloca o Romário para ser gandula’’, ‘‘chama o Mauro Galvão.’’
O treinador só aceitou dar entrevistas quando o assunto foi o jogo contra a Argentina. ‘‘O Brasil não entrou em campo para enfrentar a Argentina’’, reconheceu. ‘‘Qual foi a causa? É inexplicável’’, esquivou-se.
O coordenador-técnico Zico disse que ficou feliz com a volta de Juninho ao futebol, após ter sofrido uma fratura na perna esquerda. ‘‘A força de vontade dele foi impressionante.’’
Giovanni, do Barcelona, teria dividido as opiniões na comissão técnica. Uma parte defendia a convocação do craque para o ataque, no lugar de Edmundo, um jogador no qual poucos confiam, por seu temperamento instável. Giovanni também tem chances no meio-de-campo. Zagallo tinha outras dúvidas, todas já selecionadas: para a reserva de Rivaldo na posição do 1 (Juninho é o mais cotado) e para a reserva de Dunga no meio-campo (Doriva era o preferido, com mais chances que Zé Elias, da Inter, e Mauro Silva, do La Coru¤a).
A presença do vice-presidente de futebol do Vasco, Eurico Miranda, na sede da CBF, provocou um alvoroço. O dirigente disse que estava ali para acertar as datas dos jogos do seu time. Ele disse que não aceita ser o chefe da delegação brasileira na Copa, por discordar dos métodos de trabalho da comissão técnica. ‘‘Sou a favor do Mauro Galvão, mas com esse treinador...’’
A convocação para a Copa será anunciada num hotel cinco estrelas da zona sul do Rio. O evento está sendo coordenado pela Nike e pela Coca-Cola, patrocinadoras da Seleção.

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