Rio de Janeiro - A importância de Zagallo na seleção brasileira não se resume pela experiência acumulada ao longo de 52 anos dedicados ao futebol profissional: ela também é simbólica. Terça-feira à noite, no embarque da delegação para Londres, Zagallo foi o primeiro da comissão técnica a chegar ao aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio. Aos poucos, ao seu redor, criou-se uma roda de admiradores.
Zagallo vai assim dividindo a atenção da comissão com Parreira. Em todas as entrevistas do treinador da seleção brasileira ele está presente. E não ocupa um lugar figurativo. É requisitado até 30, 40 minutos após cada conferência.
Fala com entusiasmo dos assuntos relacionados à seleção e repete a resposta quantas vezes for necessário para diferentes emissoras e programas de rádio. Às vezes, até o supervisor Américo Faria tenta intervir para dar continuidade a alguma reunião com a dupla que comanda a seleção. ''Vamos, Zagallo. Olha a hora'', costuma dizer, em tom amistoso.
Das lembranças desde que atuou pelo Flamengo em 1951, Zagallo destaca os títulos pela seleção inclusive o de 2002, com uma ressalva. ''Eu não estava na seleção, mas fui à Copa como comentarista e me senti pentacampeão.'' Ao contrário do que pode parecer numa análise mais apressada, a maior decepção de Zagallo não foi a perda da final do Mundial de 1998, diante da França de Zidane e companhia. ''Até hoje estou engasgado com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta (em 1996). Perdemos ali o único título que nos falta. E eu nunca vou me conformar com isso.''
Aos 72 anos, o velho Lobo, como é carinhosamente tratado no meio do futebol numa referência a um de seus sobrenomes , quer agora bater o próprio recorde: ganhar o quinto troféu de Copa do Mundo, em 2006. Para tanto, conta com o apoio integral do fiel companheiro, Parreira. ''Ninguém pode escrever a história do futebol sem dedicar um capítulo ao Zagallo. Seria imperdoável'', diz o atual técnico da seleção. (A.E.)

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