Com os olhos cheios de lágrimas, depois de conversar por telefone com a família, dizendo-se ‘‘morto, cansado e dolorido’’, o técnico Zagallo disse ontem que o Brasil e Dinamarca ‘‘dignificaram a Copa do Mundo, mostraram como se joga futebol’’. ‘‘Eles e nós poderíamos ter chegado aos 3 a 2, mas fomos nós que chegamos. Foi uma vitória suada, sofrida, de raça, dos dois times. Poderia ter sido empate’’, declarou o treinador brasileiro.
Sem o discurso pró-Seleção Brasileira habitual, Zagallo abandonou a ‘‘exclusividade nacional’’ e fez uma louvação às duas equipes. ‘‘Foi um futebol franco, aberto, jogando e deixando jogar. É isso o que dignifica uma Copa do Mundo. Brasil e Dinamarca mostraram como se joga uma Copa.’’
O técnico interrompeu várias vezes a entrevista e passou as mãos nas costas, com dor. Às vezes, fechava os olhos. As lágrimas voltavam ao falar da mulher, Alcina, e dos filhos, mas também da vitória brasileira por 3 a 2. ‘‘Ela me disse: ‘Deus vai te proteger’. Saí tão cansado... estou exausto’’, disse o treinador.
‘‘Eu estava vendo que a qualquer momento eles poderiam... É tensão demais... é demais. Estou alegre, satisfeito, mas cansado’’, acrescentou ele. Zagallo comemorou a ultrapassagem dos 11 gols que o Brasil marcou nas sete partidas do Mundial de 94. Faltando duas para o final do Mundial de 98, alcançou 13. ‘‘É um bom número, mas quero sair dele’’, disse, brincando, ao se referir ao 13, seu número da sorte. ‘‘Podemos tomar, mas fazemos gols. A idéia é ganhar. Foi um sofrimento tremendo. Faltam dois jogos para sermos campeões.’’
Falando menos e por menos tempo, devido à sua exaustão, Zagallo reclamou dos gols sofridos, principalmente do primeiro. ‘‘Foi um gol mais do que falado na palestra, no vestiário. Aconteceu na partida da Dinamarca contra a Nigéria. Sabíamos que eles batem rapidamente. Foram dois lances de bobeira’’, afirmou ele.
O técnico vibrou com a ‘‘capacidade de reação’’ brasileira. ‘‘Não foi fácil, mas como foi gostosa essa vitória. Não me recordo de sair assim de um jogo desde que sou técnico. Eu quero ganhar de qualquer maneira, mas que sofrimento que é.’’
Desde 94, Zagallo promete um futebol mais ofensivo do que na Copa dos EUA. ‘‘Não temos que comparar nosso futebol com nada. Saio com orgulho da Seleção Brasileira. O Rivaldo foi esplêndido, e os dois passes do Ronaldo para gols falaram tudo sobre ele.’’
Zagallo trocou uma camisa do Brasil por uma do adversário do jogo de ontem. Ele ganhou a do número 6, Helveg. O técnico afirmou que Zé Carlos é o substituto natural de Cafu, que recebeu cartão amarelo e está suspenso da semifinal, a ser jogada terça-feira, em Marselha. Ele não confirmou, no entanto, a presença do lateral-direito são-paulino.
O técnico disse que tirou Bebeto no segundo tempo para que Denílson ajudasse na marcação pela esquerda. Sem conseguir falar, quase no fim da entrevista, ele fechou novamente os olhos. Ao abri-los, disse: ‘‘É fogo, rapaz, é fogo. Foi demais!’’France PresseUfa!Zagallo: ‘‘Como foi gostosa essa vitória. Não me recordo de sair assim de um jogo desde que sou técnico’’Após o jogo com a Dinamarca, treinador disse que times dignificaram a Copa e
que empate não seria resultado anormal

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