Zagallo avisa: o time não muda
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segunda-feira, 29 de junho de 1998
Agência Estado 
O técnico Zagallo confirmou ontem que a Seleção Brasileira para o jogo contra a Dinamarca, na sexta-feira, em Nantes, pelas quartas-de-final da Copa da França, será a mesma que começou a partida contra o Chile. O treinador disse que gostou do Brasil diante dos chilenos, principalmente no segundo tempo, quando o time jogou mais compactado e motivado. Zagallo elogiou César Sampaio e Rivaldo e disse que tirou Bebeto só porque ele estava cansado. Zagallo disse também que até agora o Brasil só mostrou o seu verdadeiro futebol na Copa contra Marrocos e no segundo tempo com o Chile.
Zagallo aproveitou para mandar um recado à torcida, que vaiou Bebeto contra os chilenos. Bebeto é muito importante para o time, movimentado-se bem; a torcida não pode vaiar porque isso deixa o jogador intranquilo.
Zagallo comentou ainda que Denílson entrou bem na equipe, mas Bebeto é o titular e a torcida tem que entender. Para ele, a torcida não pode pedir raça logo aos 5 minutos de jogo. Os torcedores precisam incentivar a equipe justamente quando o time está precisando, pediu.
A descontração marcou o início da preparação da Seleção para o jogo contra a Dinamarca. Com as portas do Château de Grande Romaine abertas para a imprensa, os jogadores participaram de um treino técnico, tomaram banho na piscina e depois saborearam um churrasco acompanhado de cerveja.
O médico Lídio Toledo comprou 40 quilos de carne, meio quilo em média para cada um dos 60 comensais. O churrasco foi preparado pelo chefe da delegação, o gaúcho Fábio Koff, com a ajuda do supervisor Américo Faria, de avental.
Até a liberação da cerveja foi comemorada. Cada jogador pôde tomar duas cervejas em lata. O que faz mal é o porre, não duas cervejinhas, ponderou Toledo.
Veterano de seis Copas, o médico disse que cansou de ver jogador adversário tomando bebida alcoólica no vestiário, no intervalo de jogos. A Copa de 74, na Alemanha, ainda serve de exemplo para o médico. Alemanha e Holanda, que liberaram o sexo e a cerveja, foram campeã e vice, respectivamente, enquanto o time brasileiro, que ficou isolado na Floresta Negra, sob rígido controle disciplinar, conquistou o modesto quarto lugar, lembra.
Dunga vibrou com a idéia. Gaúcho, ele não só gosta de churrasco como dá seus palpites. Embora o treino no campo da concentração tenha sido liberado, pela primeira vez, para a imprensa brasileira, poucos jogadores deram entrevistas. Apenas Dunga, Leonardo e César Sampaio aproximaram-se da cerca para conversar com os jornalistas. Os demais seguiram apressados para o churrasco.


