Zagallo ataca Argentina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de julho de 1998
Agência Folha 
Apesar de se preocupar prioritariamente com a partida de sexta-feira contra a Dinamarca, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo, o técnico Zagallo já começou a atacar a Argentina. Se a Seleção Brasileira bater a dinamarquesa e a argentina vencer no sábado a holandesa, Brasil e Argentina vão se enfrentar na terça-feira por uma vaga na decisão.
Questionado sobre a busca por uma goleada na partida de sexta-feira, em Nantes (noroeste da França), Zagallo respondeu: Se ganhar por 1 a 0, está ótimo. Minto: quero ganhar por meio a 0, no último minuto, com gol de mão. Por que só nós não podemos fazer gol de mão? Nunca tivemos a felicidade de ganhar assim.
Ao ouvir referência ao jogo de ontem entre Argentina e Inglaterra, quando um argentino tocou com a mão na bola e não foi marcado pênalti, Zagallo disse: É disso mesmo que eu estou falando. E por que só a Argentina pode fazer com a mão? Por que não os brasileiros?
O técnico brasileiro considerou um exagero a expulsão de David Beckham, que deixou a Seleção Inglesa com dez jogadores no começo do segundo tempo. O coordenador Zico considerou justo o cartão vermelho. A Argentina se classificou ao vencer a disputa de pênaltis.
Em 1986, o argentino Diego Maradona marcou um gol de mão, validado, contra os ingleses. Na Copa América de 95, porém, o Brasil marcou um gol aceito pelo árbitro numa jogada na qual o atacante Túlio matou a bola com um braço.
Zagallo disse ontem que a Argentina teve mais facilidade do que o Brasil para se classificar na primeira fase porque enfrentou equipes relativamente mais fracas, como Japão e Jamaica. O técnico falou sobre o jogo que eliminou a Inglaterra depois de resistir muito. Eu quero é vencer a Dinamarca. Depois, me preocupo com o resto, afirmava. A seguir, não resistiu. Bem-humorado, o treinador foi indagado a respeito do seu feeling sobre o resultado do jogo em Nantes, cidade para a qual a equipe viaja hoje de manhã, de avião. O meu feeling eu não sei não, mas o meu filho ligou pedindo uma grande vitória contra a Dinamarca.
Tranquilo, Zagallo pouco interveio no treino coletivo de ontem. Não dei ênfase àquilo que gostaria, deixei correr solto, apenas corrigi alguns pontos.
Com um discurso de respeito e de valorização à seleção dinamarquesa - Os irmãos Laudrup são excepcionais, disse, se referindo a dois jogadores adversários -, o técnico torce para que o jogo seja aberto. Se a Dinamarca atacar com cinco ou seis jogadores, como contra a Nigéria (oitavas-de-final), pode deixar espaço para nós roubarmos a bola e sairmos rapidamente para o ataque.
Zagallo minimizou a importância de uma eventual marcação especial sobre o meia defensivo César Sampaio, co-artilheiro da seleção ao lado de Ronaldinho, com três gols, dois deles de cabeça, em jogadas ensaiadas. É difícil marcá-lo porque ele vem de trás. É natural que os defensores dêem atenção aos nossos jogadores de frente, como Ronaldo, Leonardo, Rivaldo e Bebeto.
Ao saber que o técnico do adversário de sexta-feira, Bo Johansson, reafirmara o seu prognóstico de que o Brasil chegará à final, dando o favoritismo ao time de Zagallo, o treinador brasileiro disse: Eu não digo que somos favoritos. Já que o pensamento dele é positivo, torço para que dê certo.


