Zagallo assume responsabilidade pela escalação; Ronaldo contrata segurança
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quarta-feira, 15 de julho de 1998
Agência Estado 
O técnico Zagallo assumiu a responsabilidade pela escalação de Ronaldinho na decisão da Copa do Mundo. O técnico disse ontem que deu a palavra final sobre a entrada do craque em campo e rebateu a acusação do presidente da Internazionale de Milão, Massimo Moratti, de que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teria cometido um grave erro ao permitir que o atacante jogasse após ter convulsão. Zagallo lembrou que Moratti foi um dos responsáveis por estressar Ronaldinho, ao cobrar que o artilheiro fizesse gols quando atravessava uma fase ruim no Campeonato Italiano.
O que o Ronaldo precisa agora, do clube e de todos nós, é de carinho, disse Zagallo. O treinador acha que o atacante sofreu um acúmulo de estresse que culminou com a crise convulsiva horas antes da final. E pediu para que o deixem descansar.
Zagallo confirmou que o atacante desmaiou na concentração e apagou da memória o que aconteceu. O técnico só soube da convulsão três horas depois. Eram 14h15 na concentração de Lésigny quando Roberto Carlos, Edmundo, César Sampaio e Leonardo socorreram o craque no quarto.
Zagallo estava deitado na cama e chegou a ouvir os gritos de Edmundo, mas, assistindo a jogos da França na TV, pensou que o barulho viesse da rua. Dormiu e só quando acordou para o lanche, às 17 horas, foi informado do problema. Não quiseram me dar um choque, justificou. A esta altura, Ronaldinho já tinha ido para o hospital com o médico Joaquim da Matta.
Na preleção das 18 horas, Zagallo tentou levantar o astral do time. Por mais figa e vontade que passasse, lembrando a ausência do Pelé em 1962, não tive como reanimá-los, contou. Nem o Dunga reagiu. Os colegas só queriam saber como estava Ronaldinho. Leonardo era o mais aflito. A toda hora o Léo me perguntava as notícias do hospital e as transmitia ao grupo. Ronaldinho foi submetido a sofisticados exames no cérebro e no coração. Zagallo era informado no telefone de cada resultado. Quando Edmundo já estava escalado, Ronaldinho apareceu no vestiário. A esta altura, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, já tinha descido da tribuna e conversava com Zagallo, Zico e os médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta.
Teixeira e toda a comissão técnica estavam reunidos e a dúvida pairava. O Lídio a princípio estava contra a escalação, contou o treinador. Decidiram, então, ouvir Ronaldinho. Perguntei a ele se estava em condições, e ele me respondeu que sim, contou Zagallo. Garantiu que não sentia mais dor na perna nem moleza, queria jogar e não ia fugir à responsabilidade.
O técnico negou que tenha havido imposição de Teixeira. Se existe um responsável pela escalação do Ronaldo fui eu, garantiu. Se errei, me julguem.
Ronaldinho está usando seguranças particulares desde ontem, segundo vizinhos de sua mãe, Sônia, que moram no condomínio Bosque dos Esquilos (Jacarepaguá, zona oeste do Rio). Ronaldinho chegou ontem ao local às 12h30. A permanência do atacante na casa da mãe durou pouco mais de quatro horas. Às 16h45, Ronaldinho deixou o condomínio ao volante de um carro Mercedes azul. No carro, estavam ainda três homens. Um deles seria seu irmão. Os outros dois seriam seguranças, segundo relato de moradores. Ronaldinho deixou o Bosque dos Esquilos sem falar com os jornalistas de plantão na portaria principal. Em alta velocidade, ele conseguiu despistar os carros que o seguiam, indo para rumo ignorado.


