Londres - O brasileiro Yamaguchi Falcão venceu por pontos o cubano Julio la Cruz e já garantiu ao menos uma medalha de bronze no torneio de boxe da Olimpíada de Londres-2012, na categoria até 81 kg. O placar foi de 18 pontos a 15, com direito a tensão no anúncio final.
No primeiro assalto os dois tentaram golpes decisivos, abertos, e o cubano, andando bastante pelo ringue, até parecia ter mais controle. Os árbitros deram 4 a 4 nos pontos.
Já no segundo assalto, que chegou a ser parado por soltar a tira do capacete do cubano, Yamaguchi esperava o ataque de La Cruz para golpear principalmente com socos de mão direita. E os árbitros deram vitória brasileira por 6 pontos a 5.
Para o terceiro e último assalto a estratégia do brasileiro não mudou. Ele contra-atacava bem enquanto o cubano tentava manter a distância curta e golpeava. Quando preciso, amarrou o combate, abraçando o oponente, chegando a ser advertido. Após uma expectativa pelo anúncio dos juízes, ele venceu o último assalto por 8 a 6 e foi comemorar.
Na semifinal, o brasileiro encara o russo Egor Mekhontcev.
Outro bronze
Mais cedo, a pugilista brasileira Adriana Araújo perdeu para a russa Sofya Ochigava por 17 a 11 na semifinal da categoria leve (até 60kg), e ficou com o bronze - como não há disputa do terceiro lugar na modalidade, as quatro semifinalistas já garantem medalha.
A única medalha olímpica do boxe brasileiro tinha sido conquistada há 44 anos, com o bronze de Servílio de Oliveira na Olimpíada da Cidade do México, em 1968. Para chegar ao histórico pódio, na estreia do boxe feminino em Jogos Olímpicos, Adriana Araújo precisou vencer duas lutas em Londres. Na estreia, derrotou a casaque Saida Khassenova por 16 a 14. Depois, ganhou da marroquina Mahjouba Oubtil por 16 a 12. Mas a baiana de 31 anos perdeu nesta quarta-feira e ficou fora da luta pelo ouro.
A luta desta quarta-feira, inclusive, foi a última aparição da brasileira no boxe amador. Agora, ela quer se dedicar ao profissionalismo. Mas, antes disso, fez um desabafo. ''Essa medalha é para calar a boca do presidente da Confederação, que jamais me apoiou, que não queria que eu estivesse aqui. Ele nunca apoiou o boxe feminino'', disse Adriana Araújo, referindo-se a Mauro José Silva. ''O Brasil precisa saber quem é a pessoa que dirige o boxe amador brasileiro.''
Adriana Araújo afirmou que o dirigente não deixou que ela treinasse em Salvador, junto com seu técnico Luis Dórea. ''Treinei em São Paulo por dois anos. Poderia ter me preparado melhor na Bahia, mas nunca ninguém me escutou'', afirmou a pugilista, que garantiu não ter nenhum problema com o técnico da seleção, Cláudio Aires. ''Eu só tenho de agradecer a comissão técnica e os meus colegas de seleção.''
Mauro José Silva, presidente da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe), rebateu as críticas feitas por Adriana Araújo. ''São declarações com interesses políticos'', disse o dirigente, que lembrou o fato de que haverá eleição na entidade em janeiro.

Imagem ilustrativa da imagem Yamaguchi Falcão vence, vai à semifinal e garante bronze
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