Ele não é favorito, nem pensa em medalhas, mas pode surpreender. A partir do dia 18, quando nadará pela primeira vez uma prova olímpica, o londrinense Diogo Yabe espera que o sonho que está vivendo termine somente no dia 21, data prevista para a final dos 200 metros medley nos Jogos de Atenas.
''Chegar na final já vai ser um sonho. Seria o melhor presente de aniversário que poderia ganhar'', confessa o nadador, que completou 24 anos no dia 8 de agosto. Ele já tem o plano traçado para conseguir o tão sonhado presente. ''Virando bem os primeiros 100 metros, que é a minha parte mais fraca, e mantendo o meu ritmo nos últimos 100, dá final. Meu melhor tempo é de 2min02s07, que foi o tempo do 10º colocado em Sidney-2000. Acredito que, neste ano, quem fizer em torno de 2min01 vai para a final A''.
Yabe é, junto com Thiago Pereira, um dos jovens herdeiros de Ricardo Prado, maior nome da natação brasileira nas provas que reúnem os quatro estilos. E, assim como os ídolos Gustavo Borges e Fernando Scherer, deixou o País para treinar nos Estados Unidos, onde defende a Brigham Young University e estuda Fitness, na cidade de Provo, em Utah. No Brasil, defende a Fadenp, de São José dos Campos (SP).
O londrinense ganhou projeção ao bater o histórico recorde sul-americano de Ricardo Prado, nos 200 metros medley, que já durava 20 anos, em maio do ano passado, no Troféu Brasil, no Rio de Janeiro. Yabe baixou a marca de 2m04s10 para 2m03s98.
Apesar de ser um dos destaques da nova geração da natação brasileira, Yabe quase não foi para Atenas. Na primeira seletiva, realizada no Pan-Americano de Santo Domingo, ele estava a 1,5 segundo do índice olímpico, mas um erro na saída o fez terminar a prova em sexto lugar e adiar o sonho.
''Treinei para dezembro, que seria a penúltima seletiva e baixei meu tempo em quase dois segundos'', disse. Além de Yabe, o rival Thiago Pereira e Lucas Salatta também brigavam por uma das duas vagas. Mas ele fez uma prova perfeita no Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro, garantindo o título e o recorde sul-americano dos 200m medley, com o tempo de 2min02s27, garantindo o índice.
Antes de viajar para Atenas, Yabe ainda arranjou tempo para se despedir da família em Londrina, mas sem relaxar nos treinamentos. Foram, em média, 12 quilômetros de braçadas diárias na piscina da Arel, acompanhado da namorada Fabíola Molina, também nadadora, mas que está fora da Olimpíada, e sob a supervisão do técnico Waldemar Blota Silva, o professor Dema, que o acompanha desde pequeno.

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