Uma prova de explosão e potência, onde qualquer erro pode ser fatal para o resultado. Apenas 20 centésimos de segundos vão separar o primeiro do oitavo colocado nos 50 metros livre, a prova mais rápida da natação mundial. Da forma como estão sendo pulverizados os recordes das distâncias do estilo livre, nesses Jogos Olímpicos, o russo Aleksandr Popov poderá melhorar ainda mais a sua marca, de 21s64, de 16 de junho, ou ver mais um de seus recordes quebrado. Os 50 metros terão a presença de dois brasileiros, Edvaldo Valério e Fernando Scherer, o Xuxa, brigando por conseguir passar pela fase de classificação.
A prova será disputada no Centro Aquático de Sydney, com eliminatórias às 00h02 e semifinal às 5h02 de amanhã (horários de Brasília). A final será na madrugada de sexta-feira, às 5h52. ‘‘É uma cópia dos 100 metros, ainda mais difícil’’, avalia o técnico Reinaldo Dias, dizendo que não é impossível acreditar, por todos as marcas que vem sendo registradas a cada dia no programa da natação, que o tempo excelente de Popov, de 21s64, ainda possa ser diminuído.
Para o treinador, os nadadores de ponta, como Popov, o holandês Pieter van den Hoogenband e os norte-americanos Gary Hall e Anthony Ervin têm melhores chances de classificação entre os 16 melhores da semifinal. ‘‘Pelo nível que estamos vendo aqui, a natação mundial está muito veloz e tudo pode ocorrer’’, afirma Reinaldo.
Exatamente por ser uma prova tão curta em que qualquer erro é fatal, o treinador concorda que é indefinida, uma loteria. ‘‘O nadador tem de estar altamente concentrado na saída – tem de largar realmente no momento do tiro.’’ Popov não é muito rápido na largada, mas leva vantagem na sua velocidade, na piscina. É uma prova de detalhes. O nadador também tem de ser eficiente na chegada. ‘‘A batida tem de ser no alongamento da braçada, em uma sintonia perfeita.’’
O treinador afirma que Edvaldo Valério tem de nadar tranquilo e pensar em passar para a semifinal, o que para o baiano já seria uma medalha. ‘‘Acredito no Edvaldo e no trabalho que ele está fazendo, do Xuxa eu não comento nada.’’ Xuxa abaixou a meia para mostrar o tornozelo direito, ainda inchado pela torção que sofreu há duas semanas e meia. ‘‘O pé está inchado, dolorido e, na verdade, eu vim mesmo para ajudar os revezamentos’’, afirmou.
Xuxa ainda vai nadar com a equipe brasileira o estilo borboleta nos 4x100 m medley, sexta-feira. Acha que a prova não tem dono, com favoritismo para Popov, o holandês Hoogie. Sobre o seu próprio desempenho, Xuxa tem a expectativa de ‘‘encaixar bem a técnica’’ desde o início. Disse que a contusão fez o seu sonho olímpico individual desaparecer. ‘‘Quando cai da escada o meu sonho foi junto, provavelmente eu não viria se esse torneio não fosse uma Olimpíada.’’
O terceiro ouro – Ian Thorpe, 17, levou ontem sua terceira medalha de ouro e registrou seu terceiro recorde mundial nestes Jogos Olímpicos. Ele abriu a participação de seu país na conquista da medalha de ouro no revezamento 4 x 200 m livre, com o tempo de 7min07s05, mais de um segundo melhor que a marca anterior, que também pertencia aos australianos. O time foi empurrado pela maioria dos 17 mil torcedores que praticamente lotaram o Sydney International Aquatic Centre. ‘‘Na minha orelha direita, eu escutava o maior barulho que já ouvi em toda a minha vida’’, afirmou Todd Pearson, um dos integrantes da equipe ganhadora.
A medalha de ontem foi o terceiro ouro australiano no 4 x 200 m livre. ‘‘Mais uma medalha de ouro para a Austrália. Isso é ótimo’’, afirmou Thorpe, o maior nome desta Olimpíada até aqui. Ele já havia conquistado as medalhas de ouro e obtido os recordes mundiais dos 400 m livre e do 4 x 100 m livre. Seu único ‘‘fracasso’’ aconteceu nos 200 m livre, prova em que ficou com a medalha de prata, derrotado pelo holandês Pieter van den Hoogenband.

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