Xodo foi uma estratégia de governos militares
Xodo foi uma
estratégia de
governos militares
Brasiguaios é o termo criado na década de 70 para definir os brasileiros, principalmente agricultores, que começavam a migrar para o Paraguai com o objetivo de colonizar a fértil faixa leste do país, até então tomada por florestas. Esse êxodo foi fomentado pelos dois governos, então sob o comando de ditaduras militares - Ernesto Geisel no Brasil e Alfredo Stroessner, no Paraguai.
Um acordo assinado em 1975 previa o povoamento do Paraguai com 1,1 milhão de brasileiros. O Brasil precisava assentar os agricultores que eram expulsos pela mecanização da lavoura e pelo alagamento de áreas produtivas no Paraná pela formação do Lago de Itaipu. A necessidade do Paraguai era povoar e desenvolver o interior do país. Além da fertilidade, o principal atrativo era o preço da terra - cerca de 10% do valor cobrado por hectare no Paraná.
Durante duas décadas, cerca de 400 mil brasileiros migraram para o Paraguai. Há dois anos, eles começaram o caminho de volta, novamente expulsos pela mecanização da lavoura e a dificuldade de obtenção de documentação paraguaia. Segundo o Consulado do Brasil em Ciudad del Este, hoje restam 300 mil brasileiros e descendentes no país vizinho.
Idioma - Nem espanhol, nem guarani. O idioma oficial nos municípios paraguaios na região leste do país, colonizada por brasiguaios, é o português. Emissoras de rádio veiculam programas nessa língua, comandados por locutores sem sotaque. Embora modestas, a maioria das casas ostentam antenas parabólicas, para captar emissoras de TV brasileiras. O equipamento custa o equivalente a R$ 400,00.
Gosto da novela Pérola Negra (SBT) e do programa da Xuxa (Globo), revela a estudante Daniela Isabel Giacometti, de 9 anos, filha de imigrantes brasileiros que vivem em San Alberto. Na sua casa, só se fala português. Essa é a lígua predominante na maioria dos municípios dos quatro Departamentos (o equivalente a Estados) da fronteira com o Brasil: Alto Paraná, Canindeyú, Itapua e Amambay.
Os únicos redutos de resistência do espanhol e do guarani (idiomas oficiais do Paraguai) são as escolas. Durante as aulas, é proibido falar português. Todos os livros são em espanhol e, há cinco anos, o governo tornou obrigatória a inclusão do guarani no currículo, com quatro horas semanais de aulas. (VD)





