Uma crise de relacionamento abalou ontem a seleção da Alemanha, que se prepara para enfrentar a Croácia amanhã, às 16 horas, em Lyon. Formada essencialmente por veteranos, que deverão disputar sua última Copa, a equipe é marcada por uma intensa luta pelas posições titulares. E ontem o meia Andreas Moeller reconheceu ter problemas com determinados jogadores e também com o técnico Berti Vogts. ‘‘Sei que existem pessoas que me querem fora do time’’, disse. ‘‘Ando confuso e inseguro com a falta de apoio, principalmente nos últimos jogos.’’
O caso tornou-se público depois de a mulher de Moeller, Michaela, ter ficado horrorizada com a forma como Vogts tratou o jogador, na partida contra o México - Michaela sentou-se próximo ao banco de reservas e conseguiu ouvir todas as instruções do treinador. ‘‘Vogts xingava muito e era acompanhado por outros jogadores’’, disse ela ao jornal alemão Bild, que reservou sua manchete de ontem para o caso: Senhora Moeller: ‘Andy, volte para casa!’. Revoltada, Michaela voltou a Frankfurt e telefonou para o marido interpelando-o sobre a maneira violenta com que é tratado.
‘‘Ela ficou impressionada com a forma rude de tratamento’’, disse ontem o jogador, visivelmente incomodado. Moeller não negou ter problemas de relacionamento com o treinador. ‘‘Desde o tempo de juvenil, Vogts sempre me tratou duramente.’’
O temor dos dirigentes alemães é a repetição do problema surgido na Copa de 94 nos Estados Unidos, quando o grupo se dividiu entre os que jogavam e os ‘‘outros’’. Na atual equipe, há uma clara divisão entre os atletas que já disputaram um Mundial, como Helmer, Reuter, Thon, Kohler, Haessler e Klinsmann, e as estrelas ascendentes, como Bierhoff, Jeremies, Heinrich e Babbel, todos muito elogiados por Vogts. Somente o veterano Matthaus destoa, colocando-se mais próximo do grupo dos novatos.
Moeller reconheceu a existência de grupos entre os jogadores. ‘‘É normal que, nos treinos, todos queiram brigar por uma vaga no time’’, disse. ‘‘Mas não entendo o motivo que alguns têm para não me querer na equipe.’’
O técnico Berti Vogts, que contra a Croácia vai completar cem partidas no comando da Seleção Alemã, evitou a polêmica ao comentar o assunto. Mas reconheceu ter sido duro no tratamento com Moeller, na partida contra o México. ‘‘Realmente gritei várias vezes para que ele jogasse como eu queria’’, disse o treinador, revelando uma insatisfação com a atuação do meia.France PressePonto de equilíbrioLothar Matthaus: elo entre os veteranos e os novatos da AlemanhaAgência Estado

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