Jogo 100 será neste sábado, contra o ABC: "É um momento único na minha vida"
Jogo 100 será neste sábado, contra o ABC: "É um momento único na minha vida" | Foto: Ricardo Chicarelli



O jogo contra o ABC será ainda mais especial para o zagueiro Dirceu. O capitão completa 100 jogos com a camisa alviceleste no sábado (28) e a marca coroa uma trajetória de títulos, de identificação com o clube e de respeito e reconhecimento por parte da torcida.

Dirceu não esconde de ninguém que as suas três passagens pelo LEC foram os seus melhores momentos na carreira e por isso a gratidão é grande pelo acolhimento e respaldo recebido por aqui. Se existem jogadores que nasceram para atuar em algum clube, certamente Dirceu nasceu para jogar no Tubarão. O zagueiro, porém, não sabe explicar como surgiu tamanha identificação.

"Confesso que realmente não sei. Não sei explicar esta energia que tem quando eu visto esta camisa e o carinho que a torcida tem por mim. Mas, é muito bom e gratificante", afirmou o zagueiro. "A minha história particular envolve muito a cidade de Londrina. Era para eu ter nascido aqui, mas como nasci cinco dias antes do previsto acabei nascendo em Ibaiti. Meu primeiro jogo como profissional no Coritiba foi no Estádio do Café. São pequenas coisas, mas que colocaram a cidade na minha vida".

Alegrias e aprendizado
Desde a primeira passagem em 2013, Dirceu foi campeão paranaense em 2014 e da Copa da Primeira Liga nesta temporada. Ganhou ainda dois títulos do interior e conquistou o acesso para a Série C em 2015. Foi titular em 98 partidas e venceu 52. Marcou até aqui oito gols. Nesta temporada, foram 14 jogos, com sete vitórias, três empates e quatro derrotas.

"É gratificante você poder ter uma história muito bonita como é a nossa e poder coroar com números. A ficha ainda não caiu. 100 jogos não é pouca coisa e é um momento único na minha vida e principalmente poder vivenciar isso em um clube em que eu tenho tanto carinho", ressaltou. Do atual elenco somente Germano e Silvio já superaram a marca de 100 partidas pelo Londrina.

Aos 29 anos, Dirceu lembrou que esta trajetória não teve só alegrias e elegeu a eliminação para o Juventude na Série D de 2013 como o pior momento no clube. "Aquele momento pesou muito, mas serviu de muito aprendizado para todos nós", frisou.

Dirceu admitiu que ainda não sabe sobre o seu futuro no alviceleste, mas, independentemente da sua permanência ou não, o zagueiro já está na galeria dos maiores da história do LEC. "Confesso que não imaginava tudo isso, mas desde a minha primeira passagem a história foi tão bonita. Por isso, este momento representa muito para mim e agradeço a todos que me ajudaram a chegar até aqui".

Greve no ABC: jogo cem ou sem jogo?
Os jogadores do ABC se mantêm em greve e já informaram a direção do clube que não vão entrar em campo para enfrentar o Londrina no sábado (28). Sem treinar desde o início da semana, os atletas só voltam aos trabalhos se o clube quitar os mais de três meses de salários atrasados.

A dívida com os 38 jogadores do elenco é de R$ 1.470,000,00 e, de acordo com o presidente do Safern (Sindicato dos Atletas de Futebol do Rio Grande do Norte) e da Fenapaf (Federação Nacional dos Atletas Profissionais), Felipe Augusto Leite, as negociações foram encerradas com a anuência de todos os atletas após uma ameaça do clube em demitir os jogadores por abandono de emprego.

"Estávamos finalizando uma contraproposta quando fomos apunhalados e achacados com uma notificação de que os salários estavam todos em dia. Na verdade, o ABC pagou apenas alguns poucos atletas da base e isso gerou uma revolta generalizada", afirmou. "Os atletas estão conscientes de que não vão entrar em campo se a situação não mudar até sexta-feira (27)".

O ABC não se pronunciou oficialmente sobre a situação e na tarde de quinta-feira (26) o presidente Judas Tadeu Gurgel pediu uma licença médica por 90 dias. O vice-presidente mais velho, Paulo Tarcísio, assumiu interinamente o clube.

Felipe Leite revelou que os problemas do time potiguar são muito maiores que os salários atrasados, já que o clube está com todo o seu patrimônio penhorado em ações judiciais. "O ABC é um desastre administrativo inédito no futebol brasileiro. A culpa não é do sindicato, não é dos atletas e nem do clube, mas sim dos administradores. Isso precisa mudar e se não se profissionalizar vai acabar. É uma falta de respeito a história de um clube de mais de 100 anos de tradição", criticou o presidente. (L.F.C.)

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