Curitiba - Em 1998, Kléberson, humildemente, chegava a Curitiba e assistia os jogos da Copa da França nos intervalos dos treinos do time junior do Atlético. Ontem, apenas quatro anos depois, o jogador desembarcou em Curitiba com o título de pentacampeão mundial e transformado no principal símbolo do esporte paranaense. A humildade, no entanto, permanece a mesma.
Kléberson desembarcou no Aeroporto Afonso Pena às 12h25. Quando o avião ainda manobrava na pista, o jogador atleticano foi para a janelinha ao lado do comandante acenar para os torcedores que se aglomeravam no local. Depois de uma tumultuada e rápida entrevista na pista, foi para o carro de bombeiros que o esperava. Neste momento, chegavam os familiares do atleta em um velho ônibus rubro-negro, apelidado carinhosamente de ''Ximbica'' pelos jogadores e funcionários do Atlético.
O jogador chegou com a camisa azul da seleção brasileira depois de ter dormido apenas três horas em São Paulo, ainda assim porque ''pulou'' parte da programação naquele Estado. A um amigo chegou a queixar-se de estar com dores no braço de tanto autografar camisas da seleção a pedido de fãs e, principalmente, dos cartolas da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que davam centenas de camisas para os jogadores da seleção assinarem.
Já no carro de bombeiros, o jogador atleticano mudou de camisa e passou a vestir uma predominantemente amarela, mas com o símbolo do Atlético estampado no peito. Ele carregava uma bandeira verde e amarela e acenava para os torcedores.
Ele demorou 55 minutos até chegar à Arena da Baixada. Então pôde ficar mais aliviado pois ainda guardava na memória as pedradas que a população do Rio destinou à delegação brasileira. Ainda em São Paulo, com medo do que tinha acontecido no Rio, ele sugeriu que se cancelasse a festa em Curitiba para ir direto a Ibiporã, cidade onde foi criado e onde vive sua família. ''Quero ir para o sítio. Galinha não faz mal para ninguém, os outros eu não sei'', chegou a afirmar.
Os primeiros momentos a sós com os familiares só aconteceu nos vestiários do Estádio Joaquim Américo. Já havia passado mais de 27 horas de atividades seguidas desde que desembarcou em Brasília, às 10 horas de terça-feira. A organização teve horários britânicos e exatamente às 13h55, Kléberson pisou no gramado da Arena, onde cerca de 4 mil pessoas o esperavam. A torcida começou a gritar em coro: ''Não é mole não, o Xaropinho é pentacampeão''. Xaropinho é o apelido do atleta dado pelos seus companheiros de clube que o acham parecido com o personagem do Programa do Ratinho.

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