X-saladas 'travam' contas da ADL
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terça-feira, 06 de abril de 2010
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Se depender da liberação dos recursos oriundos da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), os jogadores e a comissão técnica da Associação Desportiva Londrinense (ADL) vão ter muito trabalho para receber os salários a que têm direito. A entidade promete ser rigorosa com a prestação de contas do time, o único dos beneficiários que não teve as contas de 2009 aprovadas, o que consequentemente impede a liberação da verba prevista para 2010.
A Folha requereu e teve acesso às informações prestadas pela ADL, assim como ao relatório enviado à equipe, que contém os pontos negros da prestação de contas. Até uma nota de uma lanchonete da cidade, no valor de R$ 2,3 mil, referente a 460 X-saladas, foi incluída no documento. Levando em conta que juntando comissão técnica e jogadores, chega-se a 16 pessoas, cada uma teria que ter comido 28,75 lanches, algo pouco provável. Se a nota for referente ao mês, dá quase um X-salada por dia.
As informações desencontradas seguem na movimentação bancária do time. Saques e mais saques sem nota fiscal que os justifique, além de outros fora do prazo legal foram efetuados. Como o convênio é de 2009, os saques deveriam ter sido feitos até 31 de dezembro do ano passado, mas há várias retiradas em 2010.
Outros dois pagamentos questionados pela FEL foram feitos a Richard Chanan, irmão do presidente da ADL, Paulo Chanan. Um cheque no valor de R$ 1,5 mil e outro de R$ 2,9, foram dados a Richard, de acordo com o documento, sem justificativa de serviços prestados. Outro detalhe que chamou a atenção do departamento contábil da FEL é que um intervalo de apenas um dia separar os dois cheques: um foi emitido em 21 de dezembro e o outro em 22 de dezembro de 2009.
Procurado pela Folha, Richard afirmou que assumiu a supervisão do clube em novembro e que os valores são referentes aos seus honorários. Ele também rechaçou as acusações de que faltava comida para os jogadores.
Outro fator que impediu a aprovação das contas do clube foi a falta de recolhimento de encargos sociais dos funcionários, como FGTS e INSS. Ao todo, a ADL sacou em 2009 R$ 96.187, divididos em seis parcelas, sendo que três delas foram retiradas em dezembro. Em 2010, teria direito a R$ 210 mil, mais 80% de contrapartida privada, dinheiro que também é depositado na mesma conta e só pode ser sacado seguindo as mesmas regras da verba disponibilizada pelo Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe). Ou seja, a direção da ADL só pode usar o dinheiro após ter as contas do ano passado aprovadas.
A Folha procurou Paulo Chanan para os devidos esclarecimentos, mas ele não atendeu à reportagem. Havia uma entrevista marcada com o cartola, porém ele não compareceu e não se justificou. A entrevista estava marcada para a segunda-feira e foi adiada a pedido do próprio dirigente, que manteve o celular desligado durante o dia de ontem. A secretária dele informou que estaria em reunião na faculdade onde é diretor e que por isso não poderia atender. Ele não retornou às ligações na tarde de ontem.


