Após negociações frustradas com vários treinadores - entre eles Hélio dos Anjos, Adílson Batista, Vágner Mancini, Ney Franco e René Simões -, o Coritiba finalmente deu início à temporada de 2009 com a apresentação oficial de Ivo Wortmann, na manhã de ontem. O técnico gaúcho, que deixou o Juventude e traz o auxiliar-técnico Mabília, volta ao Coxa depois de sete anos com a missão de marcar com títulos as comemorações dos 100 anos de fundação do clube, último da Série A a definir o comando para o ano que vem. Mas conquistas em equipes profissionais são quase novidade para Wortmann, que ao bom currículo nas categorias de base, soma apenas a Copa do Governador de Santa Catarina, pelo Criciúma, em 1992.
Em seu retorno ao clube que dirigiu em duas oportunidades entre 2000 e 2001, quando conquistou 53,8% dos pontos disputados (31 vitórias, 20 empates e 19 derrotas em 70 jogos), o treinador destacou a boa base deixada por Dorival Júnior e afirma se sentir em casa. ''Gostaria de ressaltar a minha satisfação de estar voltando a um clube que eu tenho um carinho muito grande, que me abriu as portas do futebol brasileiro e me deu condições de fazer um trabalho muito bom. O desafio para aqueles que estão aqui e eu que cheguei é aprimorar e evoluir aquilo que foi muito bem feito neste ano que está se encerrando'', afirmou.
Sem adiantar o esquema tático que pretende adotar na nova equipe, Wortmann destacou alguns dos conceitos que defende, mas ressalta que a forma de o time atuar depende mais das características dos atletas. ''Tenho uma filosofia em relação ao 3-5-2 que é preciso ter zagueiros que tenham qualidade de saída de bola. Se tiver só 'zagueiros-zagueiros', o time passa a ser um time extremamente defensivo e sem a surpresa de jogadores que venham de trás. E na minha concepção, o ala no 3-5-2 tem que ser jogador de meio-campo e não lateral'', disse Wortmann. ''Mas acho que quem faz o sistema são os jogadores. O treinador não pode chegar num clube sem saber o material humano que tem, sem conhecer direito a característica de cada jogador e simplesmente impor um sistema. A função do treinador é tirar o melhor do jogador e isso só acontece na hora em que ele estiver jogando na posição correta'', acrescenta.
Para definir o esquema tático e a base da equipe, o técnico quer primeiro conhecer melhor o elenco atual e os reforços que devem vir. ''Tive oportunidade de assistir a inúmeros jogos do Coritiba que teve realmente um ano muito bom. Tem qualidade aqui, claro que não existe grupo fechado e um grande clube como o Coritiba nunca vai ter a porta fechada para aquele jogador que acrescente uma qualidade maior do que já existe'', ressalta Wortmann.
Ele afirma ainda que precisa conviver com o grupo no dia-a-dia para definir as carências e necessidades do elenco. ''No futebol, a gente não tem que se lamentar e valorizar a perda. Temos que valorizar a presença daquele jogador que está aqui ou que está vindo. Em relação às carências, em relação a uma avaliação maior do grupo, das necessidades, isto é uma coisa que tem que se trabalhar de uma forma mais interna'', finaliza o treinador.

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