Winnipeg tem um pouco de tudo que há no mundo
Janaina Tupan Frare
De Winnipeg, Canada
Especial para a Folha
Ruas tranqui las sem engarra famento, povo muito educado e simpático, lojas com as portas fechadas o tempo todo por causa do ar-con dicionado, calor de 30 graus no verão e frio de menos 40 graus no inverno. Aqui, até ginásios de esportes tem ar condicionado. Durante sete meses no ano, às 16 horas já é noite em Winnipeg. Em compensação, durante o verão, a cidade é privilegiada. O sol aparece às 6 horas da manhã e só começa a ir embora depois da 22 horas. E assim que se vive em Winnipeg, cidade sede da 13ª edição dos Jogos Pan-Americanos. O inglês (com vários sotaques) e o francês são os idiomas falados pela população.
A cidade de Winnipeg, capital da Província de Manitoba, tem 650 mil habitantes das mais diversas origens étnicas. Entre elas, eslavas, francesas, alemãs, indígenas, orientais, indianas e mediterrâneas. Isso faz com que possam ser encontrados os mais diversas tipos de restaurantes. O mais comum, além dos sanduíches, e a comida indiana, chinesa e as massas italianas. Para se encontrar um prato de arroz com feijão, bife e batata frita, deve-se andar muito. Isso é, se encontrar. O arroz, segundo alguns brasileiros que estão nos Jogos, e doce. Quem não gosta de cebola, pode comê-la aqui. Não tem nem gosto, diz Lélio Gustavo, jornalista que faz cobertura do evento para uma rádio de Belo Horizonte. O tempero é muito forte e legumes como brócolis e couve flor, eles comem crus como aperitivo. É muito duro., diz o jornalista, Ary Pereira Jr., de São Paulo.
Quem pode reclamar dessas alterações gastrônomicas é o maratonista brasileiro Éder Fialho, que deixou de disputar a medalha de ouro na competição porque teve de fazer um pit stop de 40 segundos durante a prova, porque teve uma dor de barriga inesperada decorrente de uma macarronada com molho de catchup. Claudinei Quirino da Silva, medalha de ouro nos 200m e bronze nos 100m rasos em Winnipeg, desabafa: A comida deles aqui é muito apimentada. Estou louco para chegar no Brasil e comer uma costela.
A diversidade da cidade também pode ser vista em museus. Entre eles o Museu do Homen e da Natureza de Manitoba, com sete galerias e uma réplica do Nonsuch, um barco a vela do século 17, o qual deu início ao comércio de pele no País. A arte também é bem variada. São, pelo menos, quatro grandes companhias de teatro. O esporte também é bem diversificado. A cidade é sede do Manitoba Moose, da Liga Internacional de Hockey; do Winnipeg Blue Bombers, da Liga Canadense de Futebol Americano; do clube profissional de basquete, os Winnipeg Cyclone; e dos Winnipeg Goldeyes, da Liga Profissional AA Northen de beisebol.
Uma característica interessante de Winnipeg e a arquitetura. As casas são como aquelas vistas em filmes norte-americanos. Sem grades, sem cercas e normalmente com mais de um andar. A maioria delas são de madeira, já preparadas para vedar a entrada de ar. Prédios antigos se misturam com outros bem modernos e o centro está todo interligado por passarelas suspensas fechadas ou túneis por baixo da terra, onde inclusive, durante o inverno funcionam lojas e bazares. Esses túneis facilitam o tráfego entre hotéis, centros comerciais, edifícios públicos, restaurantes e etc. Tudo para não ficarmos expostos ao frio durante o inverno, diz Maurício Ede, médico mineiro que já mora em Winnipeg há cinco anos.
O The Forks é o ponto turístico principal da cidade. Durante 6 mil anos, foi o local onde o povo indígena, exploradores, comerciantes de pele e imigrantes se encontravam. Hoje em dia continua sendo um ponto de encontro, mas da cultura, recreação, história e negócios. Além da zona histórica, o The Forks conta com mercados, restaurantes, área para caminhada, patinação e passeio a cavalo.
A educação e a cultura são prioridades tanto em Winnipeg, quanto em todas as outras cidades canadenses. Todas as escolas são gratuítas, do ensino fundamental a faculdade. A educação tem reflexo direto no dia-a-dia da população. As leis, tanto as de trânsito como as gerais, são extremamente respeitadas. Aqui não se passa do limite de velocidade permitido, diz Maurício. E é muito comum ver carros parando para dar preferência aos pedestres, completa. Também é normal encontrar pessoas idosas com cadeiras de rodas motorizadas.
Índios - O Canadá é um dos países onde mais se encontra os índios nativos da terra. Com a colonização, o governo canadense os colocou em reservas, nas quais são investidos mais de U$ 4 bilhões por ano. Mas não existem ocas e nem tribos. Os índios moram em casas comuns. Winnipeg e a cidade que acumula a maior concentração de índios nativos. É normal vê-los passeando pela cidade. Eles recebem cerca de U$ 400,00 por mês para garantirem o seu sustento.
Água - A provÍncia de Manitoba concentra a maior quantidade de água por metro quadrado do País. Ao longo de sua planície, são mais de mil lagos que cobrem todo os cantos da província. No inverno, esses lagos congelam e são usados como rink de patinação. É comum ver tratores em cima do lago no inverno, tirando a neve. A expessura do gelo chega a dois metros de profundidade, suportando assim o peso dos tratores, explica Maurício.
Parlamentar - A rainha Elizabeth II, da Inglaterra está presente em toda moeda canadense. Isso se deve à colonização inglesa e ao mercado comum existente entre os dois países. O povo canadense reconhece e idolatra a rainha como a autoridade máxima. A sua filha, Princesa Anne, esteve na abertura dos Jogos Pan-Americanos e foi muito aplaudida. Apesar de na prática a rainha não ter poder nenhum, no papel ainda existe a casa dos comuns e o senado. Em Otawa, no parlamento, o Canadá tem 74 senadores, em posição vitalícia. Toda lei aprovada no parlamento passa também pelo senado e depois pelo senador geral, que e o representante legal da rainha no País. Mas, os tributos e impostos recolhidos não são destinados a coroa inglesa. Fica na própria província.A cidade-sede do Pan é interesaante sobre todos os aspectos
DivulgaçãoHAJA ÁGUAA província de Manitoba concentra a maior quantidade de água por metro quadrado do País. Ao longo de sua planície se concentram mais de mil lagosWinnipeg tem 650 mil habitantes das mais diversas origens étnicas. Entre elas, eslavas, francesas, alemãs, indígenas, orientais, indianas e mediterrâneas





