O futuro da equipe Williams pode ficar seriamente comprometido a partir de 20 de fevereiro próximo, quando Frank Williams, proprietário do time; Patrick Head, diretor técnico; e Adrian Newey, engenheiro-chefe, responderem por ‘‘homicídio involuntário’’ no tribunal de Ímola, na Itália, no caso Ayrton Senna. ‘‘Não acreditamos na legitimidade das acusações e temos a intenção de fazer o possível para defender nossa postura’’ - informou ontem a Williams num comunicado.
Ao contrário da Benetton do italiano Flávio Briatore, que há alguns dias ameaçou boicotar as corridas disputadas na Itália se houvesse perseguições judiciais contra a Williams por causa da morte de Ayrton Senna, durante o GP de San Marino de 94, Frank Williams disse recentemente que seus carros continuarão competindo na Itália.
Se outras escuderias acompanhassem a proposta de boicote lançada por Briatore, o GP de San Marino, marcado para o dia 27 de abril em Ímola, e o GP da Itália, dia 7 de setembro, em Monza, estariam ameaçados.
Ayrton Senna morreu tragicamente em Ímola a 1º de maio de 94, depois de perder o controle de seu carro na curva do Tamburello e bater violentamente no muro de proteção do circuito a mais de 300 km/h. O tricampeão mundial disputava seu terceiro GP pela Williams.
Segundo Maurizio Passarini, o promotor de Bolonha encarregado do caso, a barra da direção do carro foi modificada e quebrou por defeito na soldadura. ‘‘Rejeitamos estas acusações’’ - disse Frank Williams recentemente, rompendo a lei do silêncio que se impôs sobre este caso. ‘‘Os exames de telemetria demonstrou que tudo funcionava perfeitamente’’.
O diretor da corrida durante o GP de San Marino, o diretor de prova, belga Roland Bruynseraede; o administrador da empresa que gerenciava o circuito quando houve a tragédia (Sagis), Federico Bendinelli; e o diretor do autódromo, Giorgio Poggi, também deverão ser ouvidos pelo tribunal de Ímola.
Estes três acusados também rejeitam as acusações contra eles. De acordo com o código penal italiano, os seis homens poderiam ser condenados a até sete anos de prisão sem apelação.
Segundo o ex-piloto de F-1, o inglês Derek Warwick, ‘‘é impossível responsabilizar uma equipe deste tipo de situação. Como piloto, sei que trabalho num ambiente perigoso, mas é um risco que assumo. Além disso, sei que os técnicos que nos cercam não permitiriam que eu subisse num carro potencialmente perigoso’’.

mockup