Wesley e César conquistaram Ivair Cenci. Autores dos gols e destaques na vitória mais dramática que a equipe obteve até agora na Série B do Campeonato Brasileiro 2 a 1 contra o XV em Piracicaba na noite de anteontem o meia e o atacante praticamente garantiram vaga no time titular para as próximas rodadas.
César se credenciou principalmente com o gol de desempate, anotado no inacreditável 54º minuto do segundo tempo (o jogo teve várias paralisações, a maior delas após a marcação do pênalti que resultou no empate do XV). Mais que determinar a segunda vitória do time fora de casa, o gol pôs fim ao um longo jejum dos atacantes do Tubarão, que alcançou 994 minutos de futebol. E quis o destino que o gol fosse tão inusitado quanto o período ''de seca'' dos homens da frente: no lance, a bola resvalou na nuca do atacante, após o goleiro Marins socar um levantamento na área.
Além do gol, César teve muitos outros méritos, segundo Cenci. Canhoto, soube proteger a bola, fintar na hora certa, manter o Tubarão no campo de ataque por mais tempo. ''Ele é técnico, habilidoso. Será mantido para os próximos jogos'', informou Cenci.
Para Cenci, Wesley é jogador que dita o ritmo ofensivo, cadencia na hora que é para cadenciar e imprime velocidade no momento certo. ''Já havia dito que ele é um jogador diferenciado e em pouco tempo ele mostrou isso. E também ganhamos mais uma opção com a bola parada'', disse Cenci. O técnico contou que durante o aquecimento do meia (ele entrou pouco antes de marcar o gol, aos 24 minutos) ele chegou a dizer que ele decidiria o jogo em um bola parada, como ocorreu.
O jogo em Piracicaba foi considerado por jogadores e comissão técnica ''atípico'' por uma soma de fatores. O Estádio Barão de Serra Negra, antigo e mal-conservado, tem um dos piores gramados da Série B. Cenci contou que quando viu as condições do campo, à tarde, chegou a mudar a estratégia de jogo e pedir ao jogadores que esquecessem a troca de passes rasteiros. ''É uma coisa horrível, cheia de buracos, careca nas grandes áreas''.
A arbitragem do mineiro Carlos Henrique Tosta também foi a mais criticada até agora no Brasileiro. O pênalti cometido por João Pessoa foi avaliado como um lance tendencioso para o time da casa. O excesso de acréscimos provocou a ira de Cenci, que foi expulso ao chamar o árbitro de ''gaveteiro''.
Outro fato curioso foi o acionamento (ainda não se sabe se intencional ou não) do sistema de irrigação do gramado com a partida em andamento. ''Eu nunca vi aquilo na minha vida'', disse rindo o técnico, já relaxado com a vitória que lhe garantiu o emprego.

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