Volante polivalente, que fazia as vezes de lateral quando o técnico precisava nos tempos de Cruzeiro e Santos, Wendel virou artilheiro na França. O volante do Bordeaux desandou a fazer gols na temporada 2007/2008 do Campeonato Francês. As 11 vezes que balançou as redes adversárias - no time só perde para o argentino Cavenaghi, que marcou 12 - ajudaram a colocar o Bordeaux na vice-liderança, atrás apenas do imbatível Lyon.
Mineiro de Mariana, o volante completa 26 anos amanhã e quer ganhar de presente a vaga na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões da Europa. Duas vezes campeão da Copa do Brasil e uma do Brasileiro, todas pelo Cruzeiro, Wendel ganhou em março um título que jamais imaginava: artilheiro do mês. O prêmio é oferecido pela Liga Francesa e pela revista Le Parisien. Com cinco gols, ele deixou para trás, entre outros concorrentes, o brasileiro Fred, do Lyon, qua marcou quatro. E olha que Wendel ficou dez dias fora de combate devido a uma lesão no tornozelo direito.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, ele fala da fase de artilheiro, das pretensões, da vida na bela Bordeaux (Sudoeste da França), famosa pelos vinhos tintos, e da adaptação ao País.
Artilharia
''É um fato novo para mim fazer muitos gols na mesma temporada. Aqui se joga um pouco diferente em relação ao Brasil, de uma outra forma tática. Eu me adaptei bem e o treinador (Laurent Blanc) viu que eu poderia jogar um pouco mais adiantado e graças a Deus está dando resultado. Mas não esperava ser o artilheiro do mês. É diferente isso pra mim, mas é bom ganhar um troféu. Significa que o trabalho está sendo recompensado e a gente está colhendo frutos.''
Adaptação em campo
''Foi muito tranquila, até porque haviam três outros brasileiros (o atacante Jussiê, o volante Fernando Menegazzo e o zagueiro Henrique), além do treinador, o Ricardo (Gomes), que acabou saindo no final da temporada (agora está no Mônaco). Isso me ajudou bastante na adaptação dentro de campo.''
Título francês
''A conquista, eu diria que é praticamente impossível (até a rodada atual o Lyon estava nove pontos à frente do Bordeaux). O objetivo, então, é garantir a segunda colocação, que dá vaga direta na Liga dos Campeões, sem precisar passar pela fase preliminar. Estamos seis pontos à frente do terceiro colocado e faltam sete rodadas.''
Liga dos Campeões
''É o mais importante aqui na Europa. Assim como no Brasil todos os clubes brigam para entrar na Libertadores, aqui todas as equipes querem disputar a Champions. É um campeonato que envolve muito dinheiro para o clube e dá muita visibilidade tanto para a equipe como para os jogadores. É um torneio diferente, muito bom de jogar. Será a minha segunda participação (disputou a edição 2006/2007 pelo próprio Bordeaux)''.
Seleção brasileira
''É claro que penso em voltar à seleção (já foi convocado seis vezes). A seleção se renova a cada dia e o importante é continuar fazendo o trabalho aqui no Bordeaux, continuar jogando bem, fazendo boas temporadas, até porque tenho 25 anos ainda. Cada vez que você faz um bom trabalho no clube pode aparecer uma oportunidade, mas desde que você esteja sendo importante para o clube.''
Adaptação cultural
''O começo foi um pouco difícil. Eu diria que os três primeiros meses, porque você não fala nada da língua local. Mas sempre que saía eu tinha as pessoas que me auxiliavam ou os amigos brasileiros estavam juntos. Hoje em dia não temos (ele e a família) dificuldade alguma. No restaurante, eu pedia o básico do básico para não me complicar. Uma carne, uma salada, um macarrãozinho (risos). Hoje em dia, dá para me virar bem melhor (faz um ano e sete meses que está na França). Também tive sorte pelo fato de aqui não ser tão frio como em outras regiões''
Vinhos
''É uma tradição aqui. Apesar de não ser uma pessoa que bebe muito vinho eu gosto de tomar sim. Para os franceses, no almoço e no jantar tem que ter vinho na mesa.''
Viagens e lazer
''Sempre que a gente tem a possibilidade e o tempo ajuda, procuro levar meu filho, o Diogo, à EuroDisney (em Paris). A gente gosta de sair aqui também pela cidade e região. Nós, brasileiros, sempre nos encontramos, um na casa do outro, fazemos um jantar, alguma coisa diferente. Às vezes fazemos um churrasco ou vamos então jantar em algum restaurante.''
Visitas
''Minha família já veio aqui, a família da minha esposa também. Sempre que tem a possbilidade eles vêm para cá. Conhecem um país diferente e fazem o tempo passar mais rápido para a gente que está aqui (risos). Quando a casa está cheia tem mais coisas para fazer.''
Comida
''Eu vivo como se estivesse no Brasil. Como meu arrozinho, meu feijão, minha carne brasileira. Como isso todo dia. Quando vou ao Brasil trago feijão na mala na volta. Também tem os restaurantes brasileiros. Então não tem dificuldade. A primeira coisa que procurei decorar foi como pedir a carne em francês. Aqui, é quase viva (risos), muito mal passada e tive que decorar como pedir bem passada.

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