São Paulo - Na contramão das grandes forças do futebol internacional, o Brasil começa a apostar mais nos veteranos do que nos jovens. A corrida é pela contratação dos ''vovôs'' como Zé Roberto, Dida, Juan, Forlán e Seedorf que chegaram recentemente ao País badalados pelo talento que os consagraram na Europa e graças ao bom momento econômico dos clubes.
O Campeonato Brasileiro é hoje a sexta liga nacional mais valorizada do mundo, segundo levantamento da Pluri Consultoria. A atual edição, aliás, é a que tem o valor recorde de mercado dos elencos, com R$ 2,06 bilhões. Tais dados, somados ao panorama de investimentos com a proximidade da Copa do Mundo de 2014, ajudam a compreender a viabilidade financeira de se contratar grandes nomes e oferecer a eles bons salários - o holandês Seedorf, de 36 anos, deve receber R$ 700 mil por mês no Botafogo.
''O investimento dos patrocinadores vem crescendo, as cotas de televisão aumentando. A crise na Europa ajudou a equilibrar os salários'', comentou o volante gremista Zé Roberto, de 37 anos, 13 deles passados no futebol alemão. Dados divulgados recentemente pela Fifa comprovam o poderio: no primeiro semestre deste ano 478 atletas do exterior foram negociados com o Brasil, contra 230 que fizeram o caminho contrário.
Com o dinheiro em mãos, os clubes têm optado pela experiência. Tanto é que, fora as recentes contratações, boa parte dos times têm como principais peças atletas já veteranos, como Marcos Assunção (Palmeiras), Deco (Fluminense) e Juninho Pernambucano (Vasco).
''Os jogadores também estão se cuidando mais, o que acaba ampliando o tempo de carreira. Hoje, com mais de 30 anos ainda é possível jogar em alto nível'', afirmou Zé Roberto. ''Os times não estão contratando só veteranos, mas sim qualidade. Lógico que os jogadores experientes já não podem correr tanto, mas os jovens do time vão ajudá-los'', explicou o vice-presidente do Palmeiras, Roberto Frizzo.
Efeito direto
Na ponta final da negociação está a chegada desses reforços ao clubes, festejados como um grande evento. Aí está outro motivo para o investimento nos veteranos: a comoção causada na torcida. ''Depois que o Seedorf chegou, aumentamos 50% em uma semana o número de sócio-torcedor'', afirmou o diretor de marketing do Botafogo, Marcelo Guimarães.
O efeito de Forlán no Internacional foi parecido e o clube tem a previsão de triplicar a média mensal de adesão aos programas de sócio. ''Em uma contratação pesa 90% a necessidade do elenco, mas se o reforço for um atleta que vá exercer fascínio na torcida, é como unir o útil ao agradável'', comentou Frizzo.
Mas tudo isso só vai ter sentido se o reforço render dentro de campo. ''É importante que o veterano seja alguém exemplar e que faça o restante do elenco evoluir'', disse o técnico do Figueirense, Argel Fucks.

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