Ele nasceu na Favela dos Tabajaras, no Rio de Janeiro. Ponta-esquerda de talento inquestionável, venceu a Copa de 1970, no time de Pelé, o Mundial Interclubes de 1983, pelo Grêmio, além de conquistar diversos campeonatos cariocas e a Copa do Brasil. Fora dos gramados, o carioca Paulo César ''Caju'' Lima, hoje com 61 anos, que ganhou este apelido por descolorir o cabelo na época de jogador, sempre esteve na mira dos holofotes. Muito pelas declarações polêmicas - sem papas na língua - mas também por ter conseguido a proeza de se tornar um ídolo na França pelo Olympique de Marselha, um ''gentleman'', que até hoje mantém o francês e espanhol como segunda e terceira línguas.
Num bate papo rápido com a FOLHA em Brasília, o sempre afiado Caju disse que sonha com sua cidade natal impecável para Copa de 2014 e relata suas expectativas acerca da seleção brasileira para o Mundial deste ano, na África do Sul.
Folha - O que você acha desta seleção brasileira?
Paulo César Caju - Não quero falar do time do Dunga, vou torcer pela Espanha, vou torcer pelo futebol. Eu quero ver futebol, hoje o clube que joga melhor é o Barcelona, independente se foi a Inter de Milão que venceu a UEFA Champions League, não me importo com isso.
Folha - Então quem você escalaria nesta seleção?
Caju - Agora não dá mais não né? Se o Brasil tivesse colocado alguns bons jogadores como o Paulo Henrique (Ganso), Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Pato...eles são craques, você tem que escalar. A Copa é uma competição curta, de um mês, definida em sete partidas. Se passar pela primeira fase, aí vem o mata-mata, e não dá para jogar sempre com este futebol nojento da Itália, Alemanha... um futebol de retranca, com o regulamento debaixo do braço, que joga pelo empate.
Folha - A Itália venceu em 2006...
Caju - Você não fala da Itália que ganhou da França em 2006, você fala do Zidane, que foi o melhor jogador, que deu a cabeçada no Materazzi, mas você não fala da seleção italiana. Eu não quero ver a seleção brasileira jogando com seis volantes, está louco! É triste. Em 1994 foi um sofrimento, e se não tivéssemos o Bebeto e o Romário para fazerem os gols decisivos? O time era parecido com este, eu não quero ver isso, não é o futebol brasileiro.
Folha - O que você achou da atitude do Dunga de cumprimentar o presidente Lula com aquele descaso antes da viagem para a África do Sul?
Caju - Eu não vou julgar a postura do Dunga de não cumprimentar direito o presidente, só questiono o jeito que a seleção joga e os atletas que ele convoca. Talvez se eu não fosse favorável a um governo eu não sei o que faria também. Eu já mandei o presidente da antiga CBD, Heleno de Barros Nunes, a m... e acabei sendo cortado da seleção. Por isso, não vou julgar a atitude do Dunga.
Folha - Onde o Brasil tem que investir especificamente para a Copa do Mundo de 2014?
Caju - Primeiro, o Brasil tem que se focar na educação e na diminuição da violência, não deixar que as drogas dominem. O Rio é uma cidade com bons hotéis, eu acredito que em relação à infra-estrutura não teremos problemas em lugar nenhum. O México conseguiu sediar a Copa de 1986 após um grave terremoto, e no final deu tudo certo. Acho que o povo brasileiro tem que ser solidário também, estar ciente que este evento vai ser bom para todos de alguma forma. Marselha era uma cidade muito questionada para ser sede na Copa do Mundo de 1998 e conseguiu superar os problemas, principalmente a violência.
Folha - O Rio pode seguir o mesmo exemplo?
Caju - São duas condições diferentes. Marselha tem 900 mil habitantes, o Rio tem oito, nove milhões (de habitantes). Marselha não tem favela e o Rio tem muitas delas. O problema é totalmente adverso, muito difícil. Mas nós temos uma coisa boa: eu como carioca, acho que pela primeira vez nestes últimos vinte anos vejo a prefeitura, o governo estadual e o governo federal trabalhando juntos. É uma grande oportunidade para os brasileiros, pois teremos três competições esportivas importantíssimas, que são a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Eu quero ver o Brasil bem, tanto na educação do povo, que ainda considero muito mal educado, quanto na infra-estrutura. Bem também, é claro, no futebol.

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