Voluntários 'usam' a seleção
Marcos Freitas
De Londrina
Um grupo de 30 jovens está usando a Seleção Brasileira para melhorar o currículo para suas futuras vidas profissionais. Eles são os voluntários a maioria estudantes de Educação Física e da Escola de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol e atletas de clubes da cidade que trabalham no Torneio Pré-Olímpico de Futebol. Pelo menos outros 30 ainda serão admitidos para ficar junto aos adversários do Brasil.
A atuação deles é simples. Basta que nada dê errado durante os treinos e jogos do Brasil... Na maioria das vezes ficam apenas parados perto do campo, só olhando e aprendendo. Mas existem também os que correm muito e não podem vacilar: são os receptores de bolas perdidas, mais conhecidos do público que acompanha o futebol como gandulas.
Pode-se dizer que eles foram admitidos por iniciativa própria. Afinal, foi a partir de uma lista, elaborada por eles mesmos, que os voluntários começaram a se organizar formalmente.
Mas quem acredita que ficar perto de grandes jogadores sem poder falar ou tocar neles, correndo atrás de bola, ou então ficar apenas olhando seja chato ou improdutivo, engana-se. As atividades desenvolvidas pela Seleção Brasileira têm sido de grande valia para os voluntários. Eles aprendem novas técnicas de condicionamento físico e ainda conhecem de perto o que há de melhor no preparo de atletas de ponta.
Para as estudantes Luciana Vizone Scafuro e Magda Adel Nassif a experiência tem sido muito importante. Elas estão na mesma turma do segundo ano do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e começaram juntas a elaborar a lista de candidatos a voluntários. Quando soubemos que o Torneio Pré-Olímpico seria em Londrina, sabíamos que haveria trabalho para nós, contam.
Luciana diz que durante os treinamentos da seleção já aprendeu, na prática, muita coisa que só havia conhecido na teoria. Aqui os exercícios e os fundamentos são executados várias vezes e dá para ter a noção exata para que servem, diz. Segundo Magda, o estágio vai ajudar muito quem optar por trabalhar no futebol. O profissionalismo empregado na seleção é algo que ajuda muito a entender o porquê do desempenho dos atletas, avalia.
Profissionalismo à parte, elas ainda sofrem um pouco para reconhecer os jogadores de Luxemburgo. Só sei mesmo quem são os mais conhecidos, como Alex e Ronaldinho, admite Luciana. Magda também não é das mais tietes. Ainda estamos começando a identificar cada um, conta.
Já o estudante Bruno Cesar Lopes lista sem titubear todos os titulares de Wanderley Luxemburgo. Ele foi selecionado para ser um dos gandulas dos treinos e conta que está achando o máximo ficar entre os jogadores do Brasil. Somos receptores de bolas perdidas, ressalta. Lopes é jogador do juvenil do Grêmio Londrinense e conseguiu uma das vagas no dia do desembarque da seleção em Londrina. Fui até o professor Filla, passei por uma entrevista e consegui a vaga, conta, com ar de contentamento.
O professor Filla é quem coordena os voluntários durante o Pré-Olímpico. Oscar Filla, 33 anos, é professor de Educação Física e trabalha como coordenador de Educação Física do Núcleo Regional de Educação de Londrina.
Filla tem algo em comum com os estudantes que hoje atuam como voluntários. Muito antes de iniciar o torneio ele procurou a Secretaria de Esportes e se ofereceu para ajudar na organização da competição. Quando veicularam a notícia da candidatura de Londrina para sediar o evento já procurei me inscrever, conta.
Segundo Filla, a função dos voluntários é aparecer pouco e cuidar para que nada saia errado. Para as meninas, o trabalho é de assessoria, recepção e de evitar que alguém passe do cordão de isolamento. No caso dos gandulas, ou receptores de bolas perdidas, o serviço é repor a bola com rapidez e precisão. A possibilidade de os gandulas que estão nos amistosos da seleção serem os mesmos dos jogos do Pré-Olímpico anima Lopes. Acho que vai ser muito legal trabalhar em dia de jogo, sonha.
Filla lembra ainda que existem também outros estudantes do curso de Secretariado Executivo que estão em pontos estratégicos da cidade como Aeroporto, Rodoviária, Calçadão e o próprio Estádio do Café com a função de auxiliar o turista que precise de alguma informação. Estamos nos cercando de todas as providências para que nosso trabalho seja feito da melhor forma possível, conclui.





