Voltem a sorrir
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
RAFAEL VALESI<br>[email protected] 
O retrospecto recente das mulheres brasileiras na São Silvestre expõe a fragilidade do país nas corridas de rua em nível internacional no sexo feminino. Caso não vençam a prova de 15km nas ruas de São Paulo nesta segunda-feira, com largada às 8h40 (de Brasília), as atletas nacionais completarão seis anos de jejum e apenas cinco vitórias desde 1975, ano em que a São Silvestre deixou de ser apenas masculina.
Dois pontos contribuem para este panorama: o alto nível das africanas que participaram da corrida nos últimos anos, e a falta de renovação na elite brasileira.
Em 2011, a campeã da São Silvestre foi a queniana Priscah Jeptoo, prata na maratona na Olimpíada de Londres - ela não defenderá o título neste ano. Outro exemplo de forte concorrente do passado é a etíope Yimer Wude Ayalew, primeira colocada na prova em 2008, e bronze no Mundial de Atletismo em Berlim (ALE) nos 10.000m no ano seguinte. Neste ano, a mais forte africana é a queniana Rumokol Chepkanan, vencedora da Maratona de São Paulo em 2012.
Se na África sobram talentos, no Brasil o número é escasso. O país deposita suas chances de sucesso nesta segunda-feira em duas atletas que brilharam na década passada na São Silvestre: Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001, e Lucélia Peres, a última do Brasil a ganhar, em 2006.
- Os estrangeiros estão sempre renovando seus atletas, enquanto aqui são sempre os mesmos. Lá fora o atletismo é como se fosse o nosso futebol, vestem a camisa e se dedicam, e é por isso que eles têm mais atletas do que nós - falou Baldaia em entrevista coletiva, no domingo.
A diferença das competidoras nas provas de rua não fica somente na comparação com as estrangeiras. Dentro do próprio território, a disparidade entre os homens é nítida.
Em 2012, os brasileiros da maratona na Olimpíada de Londres terminaram o evento como o destaque no atletismo nacional ao colocar três corredores entre os 15 melhores.
Enquanto isso, entre as mulheres, o Brasil levou apenas uma representante, Adriana Aparecida de Araújo, que ficou em 47º.
Histórico
Mulheres na São Silvestre
A prova feminina foi incluída na São Silvestre em 1975. Desde então, 37 edições foram realizadas para as mulheres, com apenas cinco vitórias de corredoras brasileiras.
Vencedoras
1995 - Carmem Oliveira
1996 - Roseli Machado
2001 - Maria Zeferina Baldaia
2002 - Marizete Rezende
2006 - Lucélia Peres
Na prova masculina da São Silvestre, há pelo menos uma certeza: a corrida terá um campeão inédito. Vencedores recentes, como Tariku Bekele (2011) e Marílson Gomes dos Santos (2010), não correrão.
Com isso, a principal atração estrangeira é o queniano Mark Korir, vice-campeão no ano passado nas ruas de São Paulo. Pelo Brasil, destaca-se Paulo Roberto de Almeida Paula, oitavo colocado na maratona na Olimpíada de Londres neste ano.


