Rio, 07 (AE) - A volta do atacante Edmundo ao Vasco, apregoada por dirigentes e torcedores do clube como a solução para a falta de títulos no futebol em 1999, pode criar uma crise de relacionamento entre os jogadores do elenco. Alguns deles criticam ostensivamente a torcida por exaltar, em coro, o nome do artilheiro antes e depois de todos os jogos do time - iniciativa adotada desde o ano passado, antes mesmo da conquista da Taça Libertadores da América.
"Ninguém sozinho vai levar o Vasco a algum título", declarou o zagueiro Mauro Galvão, de 37 anos, o mais experiente do grupo. Ele garantiu que Edmundo será bem recebido, pois não se pode atribuir culpa por eventuais fracassos a alguém que nem começou ainda o trabalho no clube. "Mas todos sabem que futebol, hoje, é coletivo, é conjunto", disse Galvão. O lateral Zé Maria também não tem gostado do culto, que considera excessivo, à figura de Edmundo. "O Vasco ganhou títulos importantes com e sem o Edmundo", disse.
O mais importunado com o retorno do craque é o atacante Donizete, que deve ceder a vaga de titular para o ainda jogador da Fiorentina. Ele, no entanto, aposta em sua permanência no time. "Ninguém pode perder a vaga por antecipação e eu já dei muita alegria ao Vasco", declarou.
Donizete pretende conversar com a diretoria do Vasco antes da chegada de Edmundo para saber se há alguma restrição ao seu trabalho no clube.
"Não é nada contra o Edmundo." O Vasco tem um jogo decisivo contra o Fluminense, domingo, pelo Campeonato Carioca - a competição é a única que o time continua disputando no primeiro semestre, depois da desclassificação da Copa do Brasil, na quarta-feira. Para essa partida, o técnico Antônio Lopes não conta com quatro titulares: o goleiro Carlos Germano, o volante Nasa e os atacantes Donizete e Ramón. Os quatro estão-se recuperando de contusões.
O treinador deve manter a equipe que começou o jogo contra o Goiás, na quarta-feira. Assim, o atacante Mauricinho, os meias Alex Oliveira e Chiquinho e o goleiro Márcio continuam no time.

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