São paulo, 05 (AE) - O vôlei brasileiro, de maneira geral, e o feminino, em especial, estão em crise. Os patrocinadores que não retiraram totalmente o apoio financeiro da modalidade, diminuíram bastante os investimentos no esporte. Uniban, Leites Nestlé e Universidade Guarulhos, primeiro, terceiro e quarto colocados, respectivamente, na última Superliga Feminina, decidiram simplesmente retirar o patrocínio, deixando mais de 30 jogadoras sem clube. O esporte é vítima de uma crise maior, a do País, com recessão econômica e desemprego.
No masculino, a crise teve menor proporção. A grande maioria dos patrocinadores decidiu apenas reduzir os investimentos. O corte, em alguns casos, foi drástico, como no Report/Nipomed, que viu o orçamento da equipe diminuir em 40%. O resultado imediato da medida é a esperada transferência de vários jogadores para o exterior. Do time de Suzano, dono de três títulos brasileiros, por exemplo, Maurício, Giba e Max, que foram dispensados pelo clube, têm convites do vôlei europeu. Outro exemplo: dos 12 jogadores que representam o Brasil na Liga Mundial, oito estão sendo assediados por empresários estrangeiros.
A retirada de patrocínio e o corte dos investimentos tiveram outras consequências, que não a falta de clubes e a fuga para o exterior. Muitos atletas foram obrigados a renegociar os salários e a assinar contratos por valores menores do que os recebidos na temporada passada. "A situação está realmente muito difícil e vai exigir sacrifícios de todos os envolvidos no esporte", acredita a atacante Ana Moser, presidente da Associação Brasileira dos Atletas de Vôlei (Abravo) que luta para ser reconhecida e recém-contratada pela equipe do BCN/Osasco.
"As mudanças têm de começar na estrutura." Fofão e Virna, os grandes destaques da Uniban/São Bernardo, atual campeã brasileira, e Leila, a musa da seleção, são as jogadoras mais famosas entre as "desempregadas". A atacante Virna, a melhor atleta da temporada 1998/1999, lamenta a situação. "Bem agora que estruturei minha vida em São Paulo, não tenho nenhum convite para jogar na cidade", diz a jogadora, que tem propostas da Itália. "Não queria mudar minha rotina, indo para a Europa."
Ao mesmo tempo Tricampeão brasileiro com o extinto time do Leites Nestlé, o técnico Sérgio Negrão foi contratado pelo BCN. Apesar de preocupado com a situação atual, o treinador mantém-se otimista. "Tenho certeza de que a situação é passageira, porque o vôlei já mostrou que é um excelente veículo de divulgação e de marketing", diz o técnico. "Pena as empresas saírem todas de uma vez, deixando um grupo muito grande de atletas sem clube."
Para Negrão, o mercado do vôlei feminino estava inflacionado por causa do excesso de procura. A situação, agora, mudou totalmente. "Havia leilão pelas melhores atletas e os salários aumentaram muito nas últimas temporadas", diz. "Com a falta de patrocinadores, o custo das equipes caiu muito", prossegue. "No BCN, todas as jogadoras vão ganhar menos do que ganhavam."
Negrão soube que a Nestlé retiraria o apoio da equipe de Jundiaí no início do ano e tratou de procurar patrocinadores para assumir o time. Visitou 82 empresas de porte, pedindo um investimento de US$ 2,5 milhões/ano. "A realidade agora é outra", diz. "Com US$ 1,5 milhão, pode-se montar agora um time bem competitivo."
O presidente da Federação Paulista de Vôlei, Renato Pêra
também está otimista. Ele garante que a entidade está assessorando duas empresas interessadas em investir no vôlei feminino. "Duas novas equipes serão montadas, uma de ponta e outra média", comenta. "Nos próximos dias, tudo estará resolvido."

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