Vôlei: seleção tenta administrar pressão
Kobe, Japão, 28 (AE) - O título de campeão pan-americano e o vice-campeonato no Grand Prix da ásia, obtidos nesta temporada, são resultados que aumentaram a responsabilidade da renovada seleção brasileira feminina de vôlei, na avaliação do técnico Bernardo Resende. "Criou-se uma expectativa além do que havíamos previsto no início da temporada", afirmou Bernardinho, que já treina a equipe no Japão. "Ninguém acha que o Brasil não vai classificar-se para a Olimpíada." A seleção está em Kobe, onde chegou após uma cansativa viagem de 30 horas, com escalas em Los Angeles e Tóquio. O time está concentrado e adaptando-se à diferença de 11 horas de fuso horário, no centro de treinamento do time japonês Orange Attackers, onde fica até domingo. A seleção estreará na Copa do Mundo contra a Croácia, na terça-feira, em Okayama. As seleções que obtiverem os três primeiros lugares no torneio asseguram suas vagas nos Jogos Olímpicos de Sydney, no ano que vem.
Bernardinho observou que tem um time totalmente renovado
em relação à Olimpíada de Atlanta, em 1996. A capitã Ana Moser é a única titular a permanecer na equipe - e, mesmo assim, com uma contusão crônica no joelho direito, só deverá jogar seis ou sete partidas. "A Virna era a sétima jogadora", observa Bernardinho, referindo-se à atacante que, hoje, é titular absoluta da equipe, ao lado de Leila e Fofão, também reservas em Atlanta.
"Umas têm pouco tempo como titular, como a Fofão, que é a primeira levantadora há um ano", analisou o técnico. "Outras
como a Érika, a Elizângela e a Walewska, estão chegando agora"
disse. "Havia mesmo a necessidade de renovar, já que as jogadoras daquela geração ou desistiram da seleção ou foram para a praia." Bernardinho disse que a nova seleção vai ser cobrada pela mídia, os dirigentes e o público, se não voltar do Japão com a vaga olímpica.
"É um time que vai cumprir o seu papel, pelo menos eu espero, mas não é a equipe que tínhamos em 1996." A atacante Érika, de 19 anos, que chegou à seleção há quase dois anos, espera poder administrar bem as pressões. Para ela, a Copa do Mundo, exatamente por ser seletiva para a Olimpíada, é o campeonato mais importante do ano. "Se não conseguirmos nada agora, não vai adiantar tudo o que fizemos para trás; e por isso é que as cobranças serão maiores."
O Brasil terá de fazer 11 partidas até o dia 16. Todos jogam contra todos, no sistema de contagem de pontos corridos, e os três primeiros garantem a vaga. Disputarão o torneio, além do Brasil, Rússia, Cuba, China, Coréia do Sul, Japão, Itália, Croácia, Estados Unidos, Argentina, Peru e Tunísia.





