São Paulo - Basquete e vôlei sempre brigaram pelo segundo lugar na preferência dos brasileiros pelos esportes coletivos, atrás do futebol. Mas a partir da década de 90, com a seleção brasileira masculina de vôlei conquistando o ouro olímpico em Barcelona (1992), a modalidade deu um salto e se consolidou como a mais organizada dentro do País. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que administra o esporte, virou referência para outras modalidades, como handebol, remo e o próprio basquete, modalidades que querem conquistar melhores posições nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
Hoje, o vôlei conta com cerca de R$ 30 milhões por ano em patrocínios e Lei Piva (os principais investidores são Banco do Brasil e Olympikus). É o triplo do que arrecada a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) o patrocínio da Eletrobras, de cerca de R$ 7 milhões por ano, é o mais significativo. As modalidades também estão entre as que recebem maior percentual da Lei Piva em 2005 o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) destinou R$ 1,8 milhão para o vôlei e a mesma quantidade para o basquete.
''O vôlei caiu no gosto popular porque é um esporte vencedor. Ganhou quase tudo nos últimos quatro anos ou, pelo menos, não ficamos fora do pódio. Nosso esporte passa uma imagem vencedora e é justamente com essa imagem que as empresas querem ser vinculadas. Hoje mostramos que temos organização e estrutura e, com isso, tenho certeza de que teremos seleções competitivas pelo menos nos próximos 15 anos'', avalia Ary Graça, presidente da CBV. ''Nos últimos quatro anos, os valores dos contratos de imagem dos jogadores aumentaram em mais de 400%'', gaba-se o dirigente.
Enquanto as equipes dos rivais técnicos Bernardinho e Zé Roberto Guimarães passam por um ótimo momento, o basquete agoniza. A última participação da seleção masculina em Jogos Olímpicos foi em 1996, quando a geração de Oscar ficou em sexto na Olimpíada de Atlanta. Nem mesmo estrelas como Nenê e Leandrinho, hoje na NBA, salvam a imagem da modalidade.
O próprio Oscar, presidente da Nossa Liga de Basquete, admite que a modalidade não é um produto bom de venda conseguiu apenas R$ 250 mil em cotas vendidas para a Wilson, marca de material esportivo, e a ESPN Brasil. Mais do que as seleções principais, as categorias de base vão mal. A última vez que a equipe masculina juvenil participou de um Mundial foi em 1999, com o oitavo lugar.
A situação das mulheres é um pouco melhor. O time foi campeão mundial em 1994, medalha de prata na Olimpíada de Atlanta, em 1996, com Paula e Hortência, e bronze na Olimpíada de Sydney, em 2000. Mas os campeonatos nacionais são fraquíssimos: o último Nacional contava com apenas seis equipes, e Ourinhos foi campeão invicto, sem adversários. Em 2003, com a seleção infanto-juvenil, o Brasil foi medalha de prata no Mundial.
O basquete ainda está enfrentando um ''racha'', o que coloca em cheque a própria administração do esporte: por que ídolos como Paula, Hortência e Oscar não estão com a CBB? Desde a criação da NLB, presidida por Oscar, e que tem o apoio das estrelas do basquete feminino, a troca de farpas é contínua entre clubes e dirigentes que estão com a CBB e os que estão com a NLB.

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