Vôlei masculino enfrenta Itália na semifinal
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quarta-feira, 08 de agosto de 2012
Sílvio Barsetti <br> Agência Estado 
Londres - Na fácil vitória sobre a Argentina por 3 sets a 0 - parciais de 25/19, 25/17 e 25/20 -, o Brasil perdeu nesta quarta-feira Leandro Vissotto, contundido, mas ganhou a juventude de Wallace, trunfo da seleção para enfrentar nesta sexta a Itália na semifinal do vôlei masculino. A equipe europeia surpreendeu o público no Earls Court ao eliminar os atuais campeões olímpicos, os Estados Unidos, também por 3 a 0 (parciais de 28/26, 25/20 e 25/20), logo depois da exibição brasileira.
''A Itália melhorou muito, explora bem o saque, seu ponto forte, mas oscila bastante'', comentou o técnico Bernardinho, confiante de que a seleção tem boas chances de disputar mais uma vez a medalha de ouro.
Vissotto caiu em quadra ainda no início da partida, o Brasil vencia o set por 20 a 13 e houve o temor de que a sua saída pudesse abalar a equipe. Inconsolável, chorava ao lado de Ricardinho, entre os reservas, enquanto via Wallace despontar como o grande nome do clássico sul-americano.
Estreante em Olimpíada, o paulista de 25 anos manteve a serenidade, atacou com firmeza, esteve muito bem nos bloqueios e recebeu o apoio de todos os outros atletas brasileiros. Ainda assim, avaliou sua atuação apenas como regular. ''Estou preparado, sempre estive, não perco a cabeça'', comentou Wallace, que conversa com os pais Levi e Gleci diariamente. ''Ela chora, deve ter chorado durante o jogo de novo''.
A aflição da equipe ao perceber a seriedade do problema de Vissotto - sofreu lesão muscular e vai ficar fora de atividade por semanas - acabou compensada pela atuação de seu substituto. Wallace é tratado no grupo como um xodó e a todo instante recebe um afago ou orientação dos colegas. Murilo, um dos líderes da equipe, disse que já existe uma estratégia dos mais experientes para auxiliar o jogador do Cruzeiro em momentos complicados. ''Quando ele comete algum erro, o Bruninho (levantador) trata de passar duas ou três bolas com açúcar para ele finalizar'', contou ''Aí ele volta a sorrir e assusta os adversários''.
Para Bernardinho, a autoestima do oposto não é baixa. ''O Wallace vem de origem humilde, é muito tímido, mas é um garoto corajoso, está em evolução''. O técnico tentou disfarçar o incômodo pela perda de Vissotto. ''Vou ter de buscar outra solução, ainda hoje (quarta) conversarei com o Thiago (atacante e o menos utilizado nos Jogos de Londres)''.
A vitória sobre a Argentina deu sinais claros de que o Brasil sobe de produção a cada jogo. O bloqueio funcionou várias vezes, Murilo foi efetivo no ataque, assim como Lucão, e Bruninho teve rendimento superior ao dos confrontos anteriores. Sidão e Dante também se destacaram e o líbero Serginho não destoou.
''É frustrante sair agora, faltando dois jogos para a final, depois de tanto empenho, treinos e amistosos na fase de preparação. Mas tenho de me conformar e torcer pela seleção'', comentou Vissotto, que também elogiou Wallace. ''Ele é fora de série e extremamente calmo''.


