Vôlei já produz revelações no Paraná
Os clubes do Estado já contrataram 41 atletas formados no Centro Rexona de Excelência. Número de núcleos vai chegar a 20
Da Redação
Joel RochaComeça a produçãoA inauguração, na semana passada, dos núcleos de Foz do Iguaçu, Toledo, Umuarama, Paranavaí, Engenheiro Beltrão e Arapongas ampliou ainda mais o alcance do projeto de incentivo ao esporte no Paraná. Agora são 16 os núcleos do Centro Rexona de Excelência do Voleibol.
No próximo mês estão previstas as instalações de quatro novos núcleos nos municípios de Francisco Beltrão, União da Vitória, Carambeí e Campo Largo, totalizando 20 em todo o Estado.
Coordenados por Bernardo Rezende, o Bernardinho, técnico da Seleção Brasileira de Vôlei Feminino e da equipe Rexona/Paraná, atual campeã da Superliga, os núcleos têm como objetivo o desenvolvimento do vôlei no Estado.
O governo cede as quadras e paga os professores e a Gessy Lever, que patrocina a equipe Rexona, cede os equipamentos esportivos e treina os profissionais que irão orientar as turmas. No total, o governo aplicou R$ 13,5 milhões no projeto e a Gessy Lever entra com R$ 4,5 milhões anuais. O trabalho conjunto tem oferecido a oportunidade de treinamento gratuito no esporte para alunos da rede pública com idade entre 9 e 13 anos.
Renata de Fátima Tozetti, 13 anos, faz parte do time de 700 alunos do núcleo de Curitiba, e está treinando desde o início do projeto, no ano passado. Ela espera ter a mesma chance dos 41 atletas já formados pela escolinha e que jogam hoje em clubes de Curitiba. A vontade de Renata de jogar vôlei foi um dos motivos que levaram sua família - ela, pai, mãe e um irmão - a trocar a cidade de Nova Fátima, no Norte do Paraná, por Curitiba.
Em fevereiro de 1997, Renata escreveu uma carta para o técnico Bernardinho, contando sua paixão pelo vôlei, e a levou pessoalmente até o ginásio do Tarumã. Ele não estava, mas ela aproveitou para fazer sua inscrição. Dias depois, nervosa, voltou para fazer o teste e em pouco tempo começou a treinar no núcleo.
A mãe, que trabalha como costureira, se orgulha da obstinação da filha, que entre a escola e o treino assume tarefas de casa como lavar, passar e cozinhar. Renata cuida do uniforme, cedido pela escola, e do tênis, que ainda está pagando. ‘‘Eu já tive de pedir emprestado vale transporte para vir treinar, mas vale a pena’’, diz a menina, que espera vir a se tornar uma atleta como Waleska, da equipe profissional do Rexona/Paraná.
Sua colega, Andréia Aline dos Santos, também aproveitou a chance da escolinha de vôlei para aprender as técnicas do esporte de que mais gosta. Com 1,68 metro, 13 anos, Andréia não perde mais jogo da Superliga. Para garantir a presença ela trabalha como gandula nas partidas, pegando as bolas perdidas e secando a quadra entre os sets.
Ela é uma das promessas do grupo treinado em Curitiba, e também sonha com a Seleção Brasileira de Vôlei. Para chegar lá ela tem a receita: ‘‘Muita técnica, preparo físico e disciplina, muita disciplina’’, ensina.
Durante o treinamento, mães, pais, irmãos, avós, tias acompanham as jogadas das arquibancadas. Um bom saque, uma cortada infalível ou um bloqueio quase impossível ganham aplausos e animam a torcida.
O pai de Carlos Eduardo Natel Rodrigues é um dos que vão com frequência ver o filho treinar. O menino é bastante elogiado pelos professores e tem uma altura que promete. Com 13 anos ele está com 1,78 m e deve chegar fácil aos 1,99 metro do pai.
O caso de Eduardo foi de troca de paixão. Ele gostava mesmo era de futebol, mas na escola onde estudava insistiam que ele jogasse basquete. Esse esporte não o empolgava, então ele descobriu o vôlei e entrou no núcleo de Curitiba. Hoje está animado, principalmente depois que começou a participar de competições. Quando tem jogo, toda a família de Eduardo vai torcer. Uma de suas avós chega a ir aos treinos para ver o neto jogar. ‘‘Ele morre de vergonha’’, conta a mãe, que só em maio deixou o menino ir de ônibus para os treinos.
O projeto do Centro Rexona de Excelência do Voleibol, assim como os atletas formados pelos núcleos, também é ambicioso. ‘‘Nosso objetivo é formar a mais completa geração de atletas para os Jogos Olímpicos de 2000 e 2004’’, diz Bernardinho.
Junto com sua equipe, Bernardinho atua em três frentes: treinamento de professores de educação física da rede pública de ensino; escolinhas de minivôlei e de vôlei para as crianças da rede pública; e na formação de equipes infanto-juvenil, juvenil e adulta de alto nível.
Os atuais dez núcleos de vôlei atendem aproximadamente 3.000 crianças. Até o final do ano a Secretaria do Esporte e Turismo pretende ter 30 núcleos em funcionamento em todo o Estado.

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