Londres - A final olímpica de 2008 no vôlei feminino vai ser reeditada neste sábado, entre Brasil e Estados Unidos, e a medalha ficará com quem ''deixar o coração na quadra''. Foi o que disse Sheilla, em um discurso repetido por Dani Lins, Jaqueline e praticamente todas as atletas da seleção, depois da vitória de ontem sobre o Japão por 3 sets a 0 (25/18, 25/15 e 25/18), no ginásio Earls Court, em Londres. Mais cedo, as norte-americanas bateram a Coreia do Sul também por 3 a 0 (25/20, 25/22 e 25/22).
''Elas não são imbatíveis. Não vai ter bola perdida, não vamos desistir nunca; com isso, não vai existir favoritismo'', declarou Fabiana, emocionada. ''Não pensem que foi fácil vencer o Japão. O placar de 3 a 0 pode dar essa impressão. Mas foi o nosso jogo que evoluiu e muito''.
A vitória sobre o Japão, festejada por todas ainda na quadra, e saudada pelo público que lotou o Earls Court, fez parte apenas do início da entrevista de cada uma, minutos depois do jogo. O tema obrigatório era falar das chances do Brasil contra os Estados Unidos, invicto no torneio e que derrotou o time do técnico José Roberto Guimarães na primeira fase.
''O que cometemos de erro naquele jogo já ficou para trás. Vamos estudar ainda mais nossas adversárias e jamais deixar de lutar. Quem tiver problema cardíaco, por favor, se prepare, consulte o médico antes'', alertou Fernanda Garay.
A possibilidade de conquistar o bicampeonato olímpico passou a ser mais real depois da reviravolta pela qual passou o Brasil há poucos dias. Esteve na dependência de uma vitória dos Estados Unidos sobre a Turquia para continuar na competição. ''Naquele momento o time chegou ao fundo do poço. Estava todo mundo desesperado'', disse Zé Roberto, que tentava se controlar a fim de evitar o choro. Seus olhos vermelhos revelavam um misto de alegria e alívio. ''Iam arrebentar com a gente na volta ao Brasil. Foi a maior angústia que vivemos'', prosseguiu, pausadamente.
Ele contou que reuniões com o grupo, ''sempre com serenidade'', mudaram totalmente o ambiente da seleção na Vila Olímpica. Esses encontros mais intensos começaram pouco antes do confronto contra a China, no qual o Brasil venceu por 3 sets a 2. ''Elas precisavam de uma palavra amiga e de carinho. Tínhamos de resgatar a autoestima delas; nunca tinha visto aquelas meninas tão mal''.
Mais contido que as atletas, eufóricas até a hora de deixar a arena do vôlei e seguir para a Vila Olímpica, Zé Roberto ressaltou que garra e vontade sem limite são muito importantes, mas talvez não suficientes para derrotar os Estados Unidos. ''É a soma disso com disciplina tática''.
Nos últimos oito confrontos entre as duas seleções, o Brasil perdeu cinco vezes. Ao ser indagado sobre a eventual conquista de uma medalha de prata neste sábado, o técnico se saiu bem. ''Chegar à final é uma vitória, mas nosso papel não acabou aqui, hoje (quinta)''.

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