Sem dinheiro para montar uma equipe mais qualificada, o Londrina Vôlei Clube (LVC) estréia na próxima quarta-feira na Liga Nacional de Vôlei Feminino sem grandes pretensões. A conquista do título e, principalmente, a garantia de uma vaga na Superliga de 2003 são assuntos tratados com um certo grau de frieza. A falta de um tempo hábil de preparação e os pequenos recursos financeiros deixam a equipe do LVC em desvantagem no confronto com outros clubes concorrentes que disputarão a única vaga no principal campeonato feminino de clubes do País.
Mesmo enfrentando algumas adversidades, comissão técnica, diretoria e atletas se sentem honrados e satisfeitos em defender o vôlei da cidade em uma competição nacional. Com quase 70% do grupo formado nas categorias de base, a equipe vai motivada e disposta a ganhar muita experiência para competições futuras. ''Estamos motivados dentro de nossa realidade. Hoje a participação na Superliga é uma coisa inviável, para isso é necessário um patrocínio muito forte disposto a investir alto em quatro meses de temporada'', avaliou o técnico Carlos Alberto Hipólito.
A manutenção de um grupo competitivo na Superliga divisão de elite do vôlei feminino nacional custaria algo em torno de R$ 80 mil a R$ 90 mil mensais por temporada, valores semelhantes ao custo da equipe do Londrina/Sercomtel em época de Campeonato Nacional de Basquete. O Rexona, de Curitiba, recebe um investimento de quase R$ 3,5 milhões por temporada. ''Isso é outra realidade'', considera Hipólito.
O LBC disputou quatro Superligas, de 1997 a 2000 ano em que teve seu melhor desempenho chegando ao oitavo lugar. A equipe, que tinha vaga garantida na Superliga do ano passado, fracassou na tentativa de obter um patrocinador e desistiu da competição.
Os problemas financeiros geram ainda a saída de algumas jogadoras importantes. A ponta Danúbia, jogadora valorizada nas últimas temporadas, recebeu uma proposta irrecusável do BCN/Osasco e hoje é um dos destaques da equipe paulista. ''Nós não tínhamos condições para segurá-la e nem para fazer uma contraproposta. Infelizmente, a perdemos.''
O treinador lamenta ainda o atraso no repasse da verba através da Lei de Incentivo ao Esporte Amador previsto para acontecer no início de fevereiro. ''Só começamos a montar nosso time em abril quando algumas jogadoras que nos interessavam já estavam com contrato em outros clube'', afirmou. Hipólito não concorda com a política da Fundação de Esportes de alugar o Ginásio Moringão para shows e outros eventos. ''Isso acaba prejudicando muito a preparação das equipes da cidade. Algumas vezes, temos que trabalhar em outros ginásios e acabamos o treinamento depois da meia-noite'', lamentou.
Mesmo enfrentando dificuldades, o LVC se dedica com seriedade visando a estréia, quarta-feira, contra São José do Campos (SP), em Brasília (DF). A equipe fez no mês de julho dois amistosos diante do Rexona e teve um bom aproveitamento na avaliação do treinador. ''Perdemos os dois por 3 a 1, mas nosso time de comportou muito bem.''

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