Vôlei feminino 'exorciza fantasmas'
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terça-feira, 07 de agosto de 2012
Paulo Favero <br> Agência Estado 
Londres - Era o quarto set e a Rússia vencia a partida. Então uma pequena, porém barulhenta torcida brasileira começou a cantar e o time foi junto. A empolgação foi aumentando e aos gritos de ''o campeão voltou'', a seleção feminina de vôlei foi bloqueando todos os fantasmas do passado. Um deles, talvez o maior de todos, é que não costumava superar o adversário em fases de mata-mata. Mas com uma atuação de gala, ontem, o Brasil despachou a favorita Rússia por 3 sets a 2 (24/26, 25/22, 19/25, 22/22 e 21/19) e chegou à semifinal dos Jogos Olímpicos de Londres.
Agora, o time luta nesta quinta por uma vaga na final contra o Japão, às 15h30 (de Brasília), que bateu a China também por 3 sets a 2 (28/26, 23/25, 25/23, 23/25 e 18/16) em uma situação bem parecida com a brasileira. ''Acredito sim que o campeão voltou. A gente ganhou mais força e demos um salto muito grande'', disse a capitã Fabiana.
O confronto foi muito equilibrado desde o início e o Brasil sabia que do outro lado estava um dos melhores times da atualidade e que conta com a força de Gamova e Sokolova no ataque. Até para preparar a equipe para este confronto, já imaginado antes dos Jogos, o técnico José Roberto Guimarães fez um treinamento com os garotos da seleção juvenil do Brasil, que têm força e saltam como as russas. ''Queríamos preparar nossa defesa para essa situação'', confessou.
A partida se manteve o tempo todo em equilíbrio e, no final, um erro de arbitragem tirou um ponto do Brasil e deu para o adversário quando o placar apontava 12 a 9 no quinto set. As jogadoras ficaram revoltadas. ''Nessa hora, falei para as meninas: 'querem roubar essa bola? Não tem problema. A gente vai ganhar mesmo assim'. E deu certo'', revelou a líbero Fabi.
Ela já tinha sentido na pele, em outras ocasiões, o trauma contra a Rússia. Nas finais dos Mundiais em 2006 e 2010, duas derrotas por 3 sets a 2. Ela não estava na Olimpíada de Atenas, em 2004, quando foi pior ainda. O Brasil vencia por 24 a 19 no quarto set, permitiu uma reação e acabou sendo derrotado. ''Vou falar por mim: eu detesto o time russo. Falavam que a gente não ganhava delas, mas salvamos seis match points e vencemos. Acho que nossa equipe foi acreditando no resultado e jogamos com muito coração. A torcida ajudou no momento crucial'', lembrou a líbero.
Após a vitória, o técnico Zé Roberto comemorou como criança. Acabou até pulando na quadra e dando um peixinho. ''Acho que fazia uns dez anos que não fazia isso'', afirmou o treinador, ainda respirando fundo.
''Quando acabou, eu tinha de correr, fazer alguma coisa... Foi o que veio na minha cabeça''.
Atual campeã olímpica, a seleção feminina vinha bastante pressionada principalmente por causa das fracas atuações até então em Londres. Estreou vencendo a Turquia por 3 sets a 2, depois perdeu para Estados Unidos e Coreia do Sul, venceu a China por 3 a 2 e só garantiu a vaga, em quarto lugar do grupo, ao bater a Sérvia. Agora, tirou um favorito do caminho. ''Falar em ser campeão ainda é muito prematuro. Vamos com calma'', concluiu Zé Roberto.


