Vôlei de praia disputa ouro à meia-noite
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
A dupla de vôlei de praia formada por Adriana Behar e Shelda disputa hoje à meia-noite (horário de Brasília) aquela que pode ser a primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney. O jogo será contra as australianas Natalie Cook e Kerry Pottharst, que no último jogo derrotaram as brasileiras Adriana Samuel e Sandra Pires. Pelo menos a prata já está garantida. Adriana e Sandra disputam o bronze com as japonesas Saiki Mika e Yukiko Tarahashi.
Na semifinal, contra as australianas Tânia Gooley e Pauline Manser, Adriana e Shelda levaram um grande susto. Elas começaram perdendo de 5 a 1. Nós entramos muito tensas. Dos cinco pontos que elas fizeram, quatro foram erros nossos. Elas são jogadoras muito rápidas e sacam muito bem. Mas a partir do momento que começamos a acertar, o jogo ficou mais equilibrado. Jogamos como se cada ponto fosse o último, disse Shelda. As brasileiras fecharam o set em 15 a 7. Para a disputa do ouro, Adriana Behar prevê um jogo mais difícil. As duas são muito altas, têm um jogo bem pesado e um bloqueio muito bom. Vamos ter que forçar bastante o saque.
Adriana e Sandra vão ter que suar a camisa para sair da Arena de Bondi Beach com a medalha de ouro no peito. Acostumadas a jogar apenas um set, nos circuito brasileiro e mundial, vão ter que se esforçar para enfrentar um sistema atípico na competição. O regulamento estabelece que a final será disputada numa melhor de três sets. Para vencer dois sets é exigido muito mais concentração, explicou Behar.
Bronze Decepcionadas com a derrota para as australianas Natalie Cook e Kerry Pottharst, por 15 a 6, Adriana e Sandra, que disputam hoje, às 22 horas, a medalha de bronze contra as japonesas Saiki Mika e Yukiko Takahashi, colocaram a culpa no regulamento. Jogamos no primeiro dia, depois ficamos quatro dias sem jogar e hoje jogamos as quartas-de-final e a semifinal no mesmo dia. Isso é um absurdo. Tivemos apenas uma hora para comer, tomar banho, assistir um vídeo para ver o jogo das australianas e entrar em quadra. O cansaço pegou. Não deu tempo de reagir. Elas são muito fortes, explicou Sandra, que na Olimpíada de Atlanta (96) ficou com a medalha de ouro.
Segundo Sandra, a organização deveria ter refletido melhor sobre o calendário dos Jogos. Estamos acostumadas a jogar em circuitos mundiais e brasileiros com 32 times em três dias. Aqui são só 24 equipes para dez dias. Não sei o que passou pela cabeça deles. Eles deveriam ter refletido melhor sobre isso.
Mesmo chateada, Adriana, medalha de prata em Atlanta (96), demonstrou estar satisfeita com a medalha de bronze. Se ganharmos o bronze vou ficar muito feliz. Já vou ter duas medalhas olímpicas, num país que consegue três, quatro por olimpíada. Se o bronze chegar, vamos fechar a nossa participação aqui com chave de ouro, afirmou.
Já os brasileiros Zé Marco e Ricardo enfrentariam nesta madrugada os espanhóis Javier Bosma e Fabio Diez pelas semifinais do torneio masculino.


