Aprendi que uma das maiores características de um atleta, em especial em um esporte coletivo, é a liderança. Todo e qualquer grupo precisa de lideranças fortes e positivas para ser bem sucedido. Não me refiro apenas aos técnicos, que certamente devem ter capacidade de liderar, mas penso principalmente nas lideranças internas. Na atleta que, com sua postura, com sua atitude, contagia a equipe e, nos momentos de dificuldade, o conduz à batalha, sempre em busca da vitória.
Um dos grandes exemplos na história recente do nosso esporte é um personagem criticado e ridicularizado após a campanha fracassada da Copa de 90. Seu nome, ou melhor, apelido; Dunga. Seu espírito de luta, sua postura séria e profissional e sua atitude o elevam, na minha opinião, a uma condição especial de líder. E este atleta, após uma dura campanha que sofreu após a derrota da Copa de 90, continuou firme em busca de seus objetivos, sempre valorizando o nós, a equipe, em detrimento do eu. E comandou seus companheiros na conquista do tetracampeonato (94) e do vice-campeonato (98). Um exemplo de perseverança.
Busco sempre, nos grupos com os quais trabalho, líderes que possam representar o espírito lutador e vencedor. Na nossa seleção, aprendi a reconhecer as líderes cada uma com suas características e cada uma cumprindo sua função. Não chegamos a ter um Dunga, mas temos três estilos de liderança que, acredito, produzem um ótimo resultado. Ana Mozer e Fernando Venturini são aquelas que eu chamo de líderes técnicas de equipe que, pela experiência e capacidade de realização, conduzem a equipe a performances de alto nível. Costumo dizer a elas que não podem jamais baixar a guarda, jamais renunciar à luta, pois as outras atletas as observam e devem pensar: ‘‘Se elas desistirem, pelo quê vamos lutar?’’. A Márcia Fu se tornou a líder ‘‘astral’’ da equipe e, com sua energia, agitava e levantava o grupo nos momentos de estagnação e desânimo. E a Ana Flavia, capitã da equipe, que de forma suave dá o exemplo nos treinamentos, na luta pelas causas do grupo, sempre se preocupando com a situação de todas. Foi muito importante a presença dessas jogadoras nas conquistas que a seleção obteve.
Mas o que me deu grande satisfação na última campanha vitoriosa do Gran Prix foi observar que outras jogadoras assumiram essas funções na ausência das outras. Ana Paula se tornou uma líder técnica, Leila uma líder astral e, em quadra, Virna foi escolhida para substituir Ana Flavia.
Vamos ver se essa função de gerações e o acúmulo de maturidade demonstrado por tantas nos conduzem ao tão ambicionado pódio (e medalha) no Campeonato Mundial de novembro no Japão.

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