Vôlei (Bernardinho)


O próximo ‘leão’
será mais perigoso
O último fim-de-semana em Hong Kong foi de grande alegria para o voleibol feminino brasileiro. A vitória por 3 a 1 sobre Cuba no sábado e a de 3 a 0 sobre a Rússia na finalíssima de domingo deram ao Brasil o tricampeonato do Grand Prix Mundial.
Apesar da grande euforia que tomou conta das atletas após essa importante conquista - que ainda teve a premiação de Ana Paula como melhor bloqueio e Leila como melhor jogadora -, o grupo se reuniu no hotel para uma avaliação do mês de trabalho e para definir os planos para o Campeonato Mundial do Japão, em novembro.
Engraçada essa nossa profissão, que nos permite apenas algumas poucas horas de comemoração; morto o ‘leão’, já pensamos na outra fera que teremos que enfrentar em pouco tempo, certamente um ‘leão’ ainda mais perigoso.
Na segunda-feira já foi dia de trabalho e, antes de deixarmos Hong Kong, realizamos um trabalho físico - mais intenso com aquelas que jogaram menos, menos intenso com as titulares.
Domingo próximo, a equipe, com o reforço de Fernanda Venturini, Ana Mozer e Érica, se apresenta novamente em Curitiba pra reiniciar os treinamentos. Não há mais paradas até o embarque, no final de outubro, para o Japão.
Nesses dias as atletas, embora em suas casas, devem cumprir um programa de trabalho elaborado pela comissão técnica da Seleção para que se apresentem em boas condições no final de semana.
O mais importante, nesse momento, é que encaremos essa vitória como um fator de motivação, de aumento da autoconfiança, e não de satisfação e acomodação. Assim como as derrotas e críticas do início do torneio serviram como combustível para a grande virada do time, é fundamental que encaremos os elogios com tranquilidade e na sua devida proporção. A chave para o sucesso é única e eterna: o trabalho, a dedicação. E isso não irá faltar na nossa preparação para o Mundial.
Essa semana que termina de forma tão gloriosa teve seus momentos de imensa tristeza e apreensão. A perda do nosso querido amigo Osvaldo dos Santos foi o mais trágico desses momentos. E, ainda, o acidente com o grande campeão de iatismo, companheiro em vários Jogos Olímpicos, Lars Grael.
Confesso que muitas vezes, sentado no banco durante as partidas, pensava no amigo Osvaldo, olhava o teto do ginásio e imaginava que ele estaria nos observando e, certamente, nos protegendo. Alguém da comissão técnica chegou a comentar: ‘‘Temos mais um anjo da guarda lá em cima olhando por nós’’. E eu agradeci.
Em outros momentos, preocupado com a equipe, chegara a me reprovar por preocupações tão fúteis e imaginava o companheiro Lars lutando pela própria vida no leito de um hospital. Força campeão, todos nós, seus admiradores estamos torcendo e orando por você!
Bernardo Rezende, o Bernardinho, é coordenador do Centro de Excelência de Vôlei do Paraná e técnico do Rexona e da Seleção Brasileira feminina de vôlei. Escreve sempre às quintas-feiras na Folha, que está publicando a coluna, excepcionalmente, hoje.

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