Vôlei (Bernardinho)
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de setembro de 1998
Adeus a um amigo do peito 
São duas da manhã de uma noite muito triste em Hong Kong: acabamos de tomar conhecimento do acidente fatal que levou meu amigo, incentivador e companheiro Osvaldo Magalhães dos Santos.
Fico me lembrando da primeira vez que nos encontramos em São Paulo, na sede da Gessy Lever, e como ele, com sua cativante personalidade, contribuiu para a realização do projeto Rexona-Paraná. Ele representava o Paraná com seu dinamismo e elegância e convenceu os profissionais da Rexona a acreditar no que ele acreditava: no potencial do Paraná.
Dois anos apenas se passaram e a nossa amizade parecia ter iniciado nos bancos do jardim de infância, uma empatia total; dividindo projetos e sonhos, e trabalhando para realizar a grande transformação esportiva do Paraná. Lembro-me também da primeira vez que fui a Curitiba a trabalho, e na manhã seguinte já estávamos no Parque Barigui correndo como velhos amigos.
Trabalhávamos e nos divertíamos juntos, sempre pensando de forma ambiciosa e ele, sempre arrojado, me incentivava a dar passos arriscados, mas confiantes. Me auxiliou na contratação de jogadoras (não financeiramente), mas acreditando no nosso trabalho e na capacidade de superação das jovens que havíamos arregimentado. Quando não conseguíamos contratar as jogadoras estrangeiras, ele me disse pegamos o avião amanhã e trazemos duas na marra. E lá fomos nós para a Europa.
Chegamos à Croácia, parecíamos dois adolescentes nos divertindo nas pequenas adversidades. Tentamos nosso primeiro contato em Zagreb, e apesar de nossos esforços, nada conseguimos. No dia seguinte, voamos para a Itália e, chegando a Milão, alugamos um carro para irmos a Modena, cidade onde certamente poderíamos fisgar alguma atleta. E eu brincava: Nada como ter um motorista experiente à disposição.... E ele acelerava pelas estradas do velho Império Romano. De Modena, após algumas tentativas, seguimos para Roma, e no aeroporto encontramos com Cintha e Erna, as quais convencemos em algumas horas de negociação no próprio aeroporto a virem para a equipe do Rexona-Paraná.
Missão cumprida, retornamos a Curitiba para darmos continuidade ao projeto e as inaugurações de nossos centros pelo interior do Estado. Visitávamos duas, às vezes três cidades por dia; cansativo, mas sempre divertido. Lado a lado, nos aviõezinhos e vans, seguíamos sempre animados, vendo que nossa pequena planta começava a frutificar. E sempre, após uma semana de trabalho intenso, um jantar às sextas-feiras com nossas famílias e amigos consagrava nossa grande amizade.
Durante a Superliga, quando não conseguíamos ganhar da equipe da Nestlé, ele me dizia: Deixa elas ganharem agora, no final o título será nosso. E eu, do banco, olhava para a direita e o via em pé numa das saídas do Tarumã; tenso, mas com a fisionomia serena e sempre muito, mas muito confiante. Nas partidas fora de casa ele aparecia e ao final entrava em campo para me dar um abraço. Na noite mágica de Jundiaí ele estava lá, liderando, brigando pelos nossos torcedores e vibrando com a vitória da sua, da nossa equipe. No dia seguinte, passada aquela festa fantástica, jantamos juntos e ele me presenteou com um relógio; um gesto de reconhecimento, de agradecimento, mas antes de tudo de amizade sincera.
Aos seus pais e irmã, à minha querida amiga Louise e toda sua família, os meus mais sinceros pêsames e mais profundos sentimentos. Ao Paraná e seus líderes, peço que arregassem as mangas e dêem continuidade ao fantástico trabalho que o secretário implementou. A você, Osvaldo, dedico o título que com tanta luta conseguimos, tendo a certeza que você estará sempre conosco quando estivermos no campo de batalha.
Obrigado por tudo e adeus.


