Depois de duas semanas girando pela Ásia, chegamos a Xangai, na República Popular da China (que talvez devêssemos chamar de República Populosa da China), onde a seleção brasileira feminina de vôlei jogará a terceira etapa do Grand Prix (versão feminina da Liga Mundial).
Após um péssimo início em Macau, onde a equipe foi derrotada por Itália e Japão por 3 a 2 e pela Rússia por 3 a 0, a seleção se recuperou de forma brilhante (que as meninas não leiam isso) e ganhou a segunda etapa em Kaoshiung (Taiwan), vencendo o Japão por 3 a 0, a Coréia do Sul por 3 a 2 e a fortíssima equipe de Cuba por 3 a 1. Com isso, levou a Muller Cup com direito a premiações individuais: a jovem Raquel, do Rexona-Paraná, foi eleita a melhor jogadora e Leila, a melhor pontuadora (além de jogadora mais popular, incrível o sucesso da atleta em Taiwan!!).
Nessa terceira etapa, onde enfrentaremos EUA, Japão e a China, dona da casa, é fundamental uma boa atuação e, ao menos, duas vitórias para conseguirmos a classificação para as finais em Hong-Kong. Aqui continuamos treinando duro, diariamente e quase em dois períodos, mantendo em perspectiva o nosso maior objetivo: o Campeonato Mundial no Japão, em novembro.
Estamos sempre ligados, via internet, nas notícias veiculadas aí no Brasil, e esse talvez seja o principal assunto que gostaria de abordar na coluna dessa semana: o papel da imprensa, suas responsabilidades - e irresponsabilidades - no processo de divulgação e análise das notícias. Lemos muitas coisas (fúteis) sobre os uniformes da seleção e o furor que os tais macaquinhos, que jamais foram utilizados, causaram; lemos muitas críticas às atuações e jamais uma análise séria dos fatos, jamais um estudo mais profundo do trabalho que vem sendo realizado.
Que a seleção jogou mal - e, por isso merecia ser criticada - estou de pleno acordo, mas que se avaliem os verdadeiros motivos do atual estágio físico e técnico da equipe. Nós, da comissão técnica, utilizamos os resultados iniciais para comprovar a nossa teoria de que só existe uma chave para o sucesso: o trabalho. E, no atual Grand Prix, a seleção brasileira é aquela com menor tempo de preparação, com algumas jogadoras sem condições físicas sequer de jogar e com desfalques de peso como Ana Moser e Fernanda Venturini.
O que nos preocupa é a forma de divulgação de alguns jornais (especialmente de São Paulo) utilizando declarações de técnicos que ignoram o que aqui ocorre, com o simples intuito de polemizar, mostrando até uma faceta por nós já conhecida e repudiada: a do regionalismo. O fato do Paraná ter-se tornado o centro de treinamento da seleção brasileira parece incomodar a muitos. E pudemos notar, durante as finais da Superliga, o descontentamento de alguns jornalistas com a vitória de um time de fora dos principais pólos de voleibol do País.
Contra esse tipo de imprensa, que não se importa com os reais valores do esporte e que está habituada à nossa cultura ‘‘futebolista’’, da imprensa que vive da comercialização da notícia, da busca dos ‘‘furos’’ sem importância maior, preocupada apenas com a venda de alguns exemplares a mais, devemos nos rebelar e lutar para que em cada veículo de comunicação tenhamos um espaço sério reservado ao esporte e aos seus ídolos.

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