Vôlei (Bernardinho)
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de setembro de 1998
Estudo ou esporte? Que tal os dois? 
Quando comecei a praticar o voleibol, não imaginava que minha vida se vincularia tanto com essa atividade. Sempre sonhei (como toda criança) em jogar na seleção e me dedicava aos treinamentos para atingir os objetivos de curto prazo, que eu mesmo estabelecia: titular no clube, seleções regionais e, só então, a seleção brasileira.
Lembro-me que, quando comecei a me destacar na categoria juvenil, um técnico me dizia: Se os estudos estão atrapalhando o voleibol, largue os estudos. E creio que já naquela época muitos dos meus colegas começaram a largar realmente os estudos ou, então, o colocaram em segundo plano. Agradeço a minha família pela orientação de sempre seguir nos estudos, dividindo meu tempo entre a bola e a escola.
Hoje, como técnico de vôlei e coordenador do Projeto Rexona, no qual trabalho com mais de 3 mil jovens, me preocupo cada vez mais com a orientação ao praticante de esportes. Com a profissionalização de alguns esportes (além do futebol, é claro), há uma tendência de os jovens fugirem da escola mais cedo, acalentando o sonho de fazer fortuna como atletas profissionais. Todos devem entender que dos milhares (ou até milhões) de crianças que iniciam uma prática esportiva, poucos, muito poucos, serão aqueles que atingirão a ponta do iceberg e que poderão viver exclusivamente do esporte. Os pais devem estar conscientes desse fato - assim como técnicos e dirigentes - e devem, portanto, pensar na formação completa dos jovens.
Seria importante que autoridades e dirigentes entendessem essa importância e a força do esporte e utilizassem a prática esportiva para fincar o jovem na escola, incentivar o estudo através do esporte. Os princípios do esporte auxiliarão na orientação desses jovens. Hoje muitos atletas chegam às equipes adultas e às seleções sem dar muita importância à questão dos estudos e, em um certo ponto da carreira, começam a ter dúvidas quanto ao futuro pós-esporte. É muito difícil fazer com que esses atletas retomem os estudos. No Rexona, estamos tentando incentivar essa prática, oferecendo cursos de inglês e informática. Incentivamos, ainda, jovens atletas a buscar cursos supletivos, uma forma de chegarem ao diploma de 2º grau, condição que certamente facilita o ingresso de qualquer pessoa no mercado de trabalho.
O Projeto Rexona está, hoje, em mais de 20 escolas públicas por todo o Estado e sempre acreditei que é na escola que o esporte deve ser iniciado e incentivado.
Hoje estou em Natal e faremos o terceiro jogo contra a Holanda na série de quatro amistosos que disputamos pelo Nordeste. No primeiro vencemos por 3 a 1, mas com uma atuação extremamente deficiente no passe, mas foi muito bom rever Ana Moser em boa forma. Já no segundo jogo, a vitória do Brasil foi por 3 a 0 e credito essa vitória muito mais aos erros da inexperiente equipe holandesa. Os jogos são os últimos testes antes do Mundial e nos auxiliarão na difícil decisão do corte de duas jogadoras, para que cheguemos às doze que irão ao Japão.


