Volante Gallo saiu do Santos desacreditado e brilha na Lusa
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domingo, 15 de dezembro de 1996
Das agências 
O volante Gallo, da Portuguesa, finalmente pôde respirar aliviado. A preocupação de ficar ausente da segunda final consecutiva do Campeonato Brasileiro não existe mais. Em 1995, o jogador recebeu o terceiro cartão amarelo no jogo de ida contra o Botafogo e foi obrigado a assistir ao empate do Santos (1 x 1) - que deu o título ao time carioca - das arquibancadas do Pacaembu. Foi a maior decepção da minha carreira.
Orientado pelo técnico Candinho, o jogador evitou as faltas violentas para não prejudicar a Portuguesa, que lutava pela classificação para a fase decisiva do campeonato. Gallo foi protelando o cartão e, quando se deu conta, estava disputando as quartas-de-final pendurado com dois amarelos.
Se manerei antes, agora é que eu não poderia receber outro cartão. Isso me atormentou bastante. Toda dividida com o adversário, esse problema da suspensão vinha à minha cabeça, contou. Não foi fácil jogar desta forma. A pressão era enorme. Ao todo, Gallo fez 13 partidas sem levar sequer um cartão.
O mais surpreendente é que o volante sempre foi considerado muito violento. Realmente o Gallo fazia muitas faltas no Santos. O problema é que lá na Baixada, ele jogava mais recuado e tinha de apelar, conta Candinho.
Quando ele chegou na Portuguesa, nós já tínhamos o Capitão que fazia a marcação no meio-de-campo. Por isso, coloquei-o mais adiantado. Ele correspondeu plenamente e hoje é um dos responsáveis pela armação da equipe. O Gallo dita o ritmo da Portuguesa, elogia o técnico.
O jogador não consegue esconder sua euforia com a excelente fase pela qual está passando no Canindé. Saí desacreditado do Santos, depois de me dedicar por quatro anos ao time. Vim para a Portuguesa querendo mostrar que ainda tinha qualidades. Estou conseguindo realizar meu objetivo, comemora. Esta é a melhor fase da minha carreira. Tenho mais liberdade para armar e chegar ao ataque. Já fiz até dois gols de falta neste campeonato.
Toda esta eficiência já começou a despertar interesse de outras equipes. Segundo rumores que circulam pelo Canindé, o poderoso time espanhol do Real Madri já teria feito uma oferta para comprar o passe do jogador, que ainda pertence ao Santos e está avaliado em R$ 400 mil. Todo atleta sonha em jogar no Exterior. Mas a minha preocupação no momento é o título brasileiro, disse.
Voltar para o Santos está completamente fora dos planos. Meu ciclo na Vila Belmiro terminou. Atualmente, não tenho vontade de deixar o Canindé. Fui bem recebido e estou muito feliz aqui. Como Gallo vai completar 30 anos, em 97, ele assume que a compra do seu passe não seria um bom negócio para a Portuguesa. Ficarei dono que quase todo o passe. O melhor para o clube seria tentar o meu reempréstimo.
Carlos Miguel Dos 50 gols que o Grêmio marcou nos 28 jogos que disputou no Campeonato Brasileiro até agora - que o tornaram o time de melhor saldo da competição -, mais da metade (26) passaram pelos pés de Carlos Miguel. O meia ofensivo agora sonha com a consagração: Bem que um companheiro poderia agora me dar o passe para o gol do título.
Carlos Miguel é um dos jogadores mais animados na reversão do resultado com uma vitória por dois gols de diferença. Temos de encarnar o espírito gaúcho e partir para o ataque, ressalta.
O técnico Luís Felipe pensa de forma parecida: Este é um jogo de paciência para o Grêmio, que terá de calcular o risco de ir para cima do adversário. É o tipo de jogo que a Portuguesa gosta, mas vamos nos arriscar. O comandante gremista tem orientado o time para buscar o gol desde o pontapé inicial: É importante marcar um gol ainda no primeiro tempo para dar tranquilidade ao time.
Os campeões O gostinho de ser campeão brasileiro só foi experimentado por apenas três jogadores que estão na decisão desta noite entre Grêmio e Portuguesa. No clube gaúcho, Mauro Galvão, então com 17 anos, conquistou o título em 1979 pelo Inter, em final contra o Vasco. Em 1992, foi a vez de Paulo Nunes comemorar a conquista no time do Flamengo, embora tenha encerrado a competição na reserva de Júlio César. Pelo lado da Lusa, somente Alex Alves sagrou-se campeão brasileiro, em 94, vestindo a camisa do Palmeiras, do qual era suplente.


